Face a um desemprego jovem persistente e a uma economia que luta para absorver a sua mão de obra, Lusaca aposta no turismo para reformar a formação profissional e criar empregos duradouros. Trata-se de uma estratégia apoiada pelo Estado e por parceiros internacionais.
Na Zâmbia, as autoridades deram um passo importante na sua estratégia de alinhamento entre educação e mercado de trabalho. Durante a quarta Cimeira sobre Educação em Viagens, Hotelaria e Turismo, realizada esta semana em Lusaca, o ministro da Educação Douglas Munsaka Syakalima anunciou a introdução do turismo como disciplina autónoma no currículo escolar nacional de 2023. O objetivo é dotar os alunos do ensino secundário de competências práticas para o emprego e o empreendedorismo.
O ministro destacou que a colaboração entre os ministérios da Educação e do Turismo, nomeadamente através do Zambia Institute for Tourism and Hospitality Studies (ZITHS), permite alinhar a oferta formativa com as necessidades reais do setor. “Esta cimeira oferece uma plataforma para harmonizar a educação, a indústria e as políticas, para que o crescimento do turismo se traduza em empregos de qualidade”, afirmou. Acrescentou ainda que foram instruídas a criação de clubes de turismo nas escolas e o reforço da formação de professores.
Infraestruturas e parceiros envolvidos
No plano das infraestruturas, foram atribuídos 160 hectares de terreno ao ZITHS. Este espaço acolherá a futura ZITHS Mukuni International Academy, desenvolvida em parceria com a UN Tourism, a agência das Nações Unidas responsável pela promoção de um turismo sustentável.
A dinâmica contou também com a participação de parceiros internacionais relevantes. A Organização Internacional do Trabalho (OIT), através do seu conselheiro técnico principal Todini Marecha, sublinhou a necessidade de garantir que as competências desenvolvidas conduzam a empregos dignos, produtivos e sustentáveis. A União Europeia, representada pelo chefe de cooperação Claudio Bacigalupi, reafirmou o seu compromisso através do programa da OIT para o desenvolvimento de competências com vista a uma melhor empregabilidade (SDEP).
Um setor promissor perante desafios estruturais
Esta reforma insere-se num contexto de forte pressão no mercado de trabalho. A taxa de desemprego jovem (15–24 anos) atingiu 10,47% em 2025, segundo a Statista. De forma mais ampla, 60% da população zambiana vivia abaixo do limiar de pobreza em 2022, segundo o Banco Mundial.
O turismo afirma-se, contudo, como uma resposta setorial cada vez mais relevante. O ministro do Turismo Rodney Sikumba anunciou que o setor gerou 156 000 empregos no quarto trimestre de 2025. Um relatório do Grupo Banco Mundial, publicado em dezembro de 2024, identifica o turismo na Zâmbia como um dos quatro setores prioritários capazes de atrair até 21 mil milhões de dólares em investimentos e criar 80 000 empregos formais adicionais até 2030.
Félicien Houindo Lokossou













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