Enquanto dois milhões de jovens etíopes entram todos os anos num mercado de trabalho saturado, Adis Abeba multiplica as parcerias no estrangeiro. Um acordo inédito com o Canadá abre agora uma via legal para o emprego qualificado.
O governo etíope prossegue a sua estratégia de valorização da mão de obra a nível internacional. Neste contexto, assinou na semana passada um acordo estratégico com a empresa canadiana Future Fit International (FFI) para formar e colocar trabalhadores etíopes no Canadá.
Segundo informações divulgadas pela Ethiopia News Agency (ENA), a convenção foi assinada entre a ministra do Trabalho e das Competências, Muferihat Kamil, e o diretor-geral da FFI, Abiy Raymond. O acordo insere-se numa estratégia de diversificação dos destinos de emprego no estrangeiro.
Do recrutamento ao emprego, uma cadeia estruturada
O programa segue uma lógica progressiva. Os candidatos passam primeiro por formações alinhadas com os padrões canadenses e, depois, têm acesso a empregos validados pelas autoridades do país de destino. As inscrições são feitas através da plataforma nacional ELMIS. O responsável da FFI fala na criação de uma ponte entre competências locais e necessidades globais. Por seu lado, a ministra vê neste acordo um instrumento sustentável para os jovens e para as relações bilaterais. As autoridades alertam contra circuitos ilegais e apelam ao uso exclusivo dos canais oficiais.
Este acordo surge num contexto de forte pressão sobre o emprego. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), dois milhões de jovens entram todos os anos no mercado de trabalho etíope. Dados de 2024 do Ethiopian Statistical Service indicam uma taxa de desemprego de 27,2% entre os 15 e os 29 anos nas zonas urbanas, muito acima da média. As mulheres são as mais afetadas. Um estudo publicado em julho de 2025 na plataforma Wiley Online Library indica que 38,7% dos diplomados estão desempregados ou inativos, devido a um desfasamento persistente entre a formação e as necessidades do mercado. As projeções continuam desfavoráveis, com aumento esperado do número de diplomados enquanto a procura abranda.
Perante estas dificuldades, Adis Abeba acelera a sua abertura. Em julho de 2024, mais de 26 000 trabalhadores qualificados encontraram emprego fora do país, segundo dados oficiais. Os fluxos continuam concentrados no Médio Oriente, mas a estratégia está a evoluir. Foi assinado um acordo com a Itália em outubro de 2025 e decorrem negociações com Omã, o Iraque e o Reino Unido. O Canadá surge agora como um novo elo de ligação aos mercados ocidentais.
Félicien Houindo Lokossou













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