As Forças Armadas do Mali denunciam uma «manipulação mediática» num contexto marcado por tensões persistentes no abastecimento energético.
O exército do Mali desmentiu firmemente, na segunda-feira, 30 de março, as informações que davam conta da libertação de mais de uma centena de presumíveis terroristas em troca da passagem de comboios de combustível no país.
Falando à imprensa, o coronel-major Souleymane Dembélé (na foto), diretor da Informação e das Relações Públicas das Forças Armadas (DIRPA), classificou essas alegações como «pura manipulação». Segundo ele, essas informações fazem parte do que descreve como «terrorismo mediático», destinado a desacreditar as forças armadas e a semear dúvidas na opinião pública.
«Digo-o sem qualquer ambiguidade: o Mali enfrenta atualmente um terrorismo mediático, organizado e cuidadosamente orquestrado. Alguns meios de comunicação tentam fazer crer na existência de acordos com terroristas. Trata-se de novas manipulações destinadas a denegrir o nosso exército e a semear dúvidas na opinião pública», declarou.
Estas acusações tinham sido divulgadas no domingo, 22 de março, por vários meios de comunicação, citando fontes de segurança e políticas. Referiam a libertação, ocorrida em meados de março, de mais de uma centena de detidos presumivelmente ligados ao Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos (JNIM). Segundo essas informações, a medida teria sido tomada no âmbito de um acordo destinado a garantir a circulação de comboios de combustível até à festa de Tabaski, prevista para o final de maio.
Estas alegações surgem num contexto de segurança e logístico particularmente tenso. Há vários anos que o Mali enfrenta ataques recorrentes de grupos armados, incluindo o JNIM, que visam regularmente infraestruturas estratégicas, instalações industriais e mineiras, bem como comboios logísticos. O abastecimento da capital, Bamako, tem sido particularmente afetado nos últimos meses, sobretudo no que diz respeito ao combustível, devido a esses ataques.
Perante estes desafios, as autoridades malianas reafirmam a sua recusa em negociar com grupos considerados terroristas, ao mesmo tempo que prosseguem os seus esforços para garantir a segurança dos corredores logísticos e assegurar a continuidade do abastecimento energético do país.
Charlène N’dimon













Marrakech. Maroc