Em meados de fevereiro, chagossianos opostos à retrocessão das Ilhas Chagos a Maurícia pelo Reino Unido desembarcaram no arquipélago. A operação foi considerada ilegal por Port-Louis.
O Governo das Maurícias anunciou, na sexta-feira, 27 de fevereiro, através de um comunicado, a rutura oficial e imediata das suas relações diplomáticas com as Maldivas. Esta decisão marca um ponto de viragem significativo nas relações entre estes dois Estados insulares do oceano Índico.
Segundo o comunicado oficial, a medida surge na sequência da «posição recente do Governo da República das Maldivas, que já não reconhece a soberania da República das Maurícias sobre o arquipélago dos Chagos, nem a sua integridade territorial, e que passa a opor-se ao acordo entre as Maurícias e o Reino Unido».
Esta decisão insere-se na vontade assumida pelas Maurícias de defender os seus interesses nacionais e preservar a sua soberania. Surge num momento em que o Reino Unido se prepara para ceder o arquipélago às Maurícias, um processo que tem intensificado as tensões diplomáticas e políticas em torno do estatuto das ilhas.
Na década de 1960, o Reino Unido separou o arquipélago das Maurícias antes da sua independência e expulsou os chagossianos para instalar uma base militar em Diego Garcia. Desde então, as Maurícias contestam esta separação com base no processo de descolonização. Em 2019, a ONU solicitou a Londres que pusesse fim à sua administração do território, mas as Maldivas votaram contra essa resolução.
Após várias negociações iniciadas em 2022, um tratado assinado a 22 de maio de 2025 formalizou o reconhecimento, por parte do Reino Unido, da soberania mauriciana sobre o arquipélago. No entanto, o contexto agravou-se em meados de fevereiro, quando chagossianos contrários à retrocessão realizaram uma operação considerada ilegal por Port-Louis. Chegados de Londres a 16 de fevereiro, acompanhados por um antigo deputado britânico, desembarcaram no arquipélago com a intenção de estabelecer o que descrevem como uma presença permanente.
Este episódio reacende as tensões em torno do estatuto das Chagos.
Ingrid Haffiny













Marrakech. Maroc