ExxonMobil sinaliza avanços possíveis no projeto de gás Rovuma LNG, no norte de Moçambique, após interrupção em 2021 devido à instabilidade na província de Cabo Delgado.
Empresa americana deverá tomar decisão final de investimento (FID) no início de 2026 para projeto estimado em 30 bilhões de dólares.
A exemplo do projeto Moçambique LNG administrado pela TotalEnergies, o projeto Rovuma LNG da ExxonMobil foi interrompido em 2021 devido à instabilidade de segurança na província de Cabo Delgado.
A multinacional ExxonMobil agora acredita que avanços são possíveis em seu projeto Rovuma LNG, no norte de Moçambique, enquanto os esforços para remover a cláusula de força maior do projeto vizinho, Moçambique LNG da TotalEnergies, continuam.
Em uma entrevista divulgada na sexta-feira, 31 de outubro de 2025, pela imprensa internacional, o CEO da ExxonMobil, Darren Woods, afirmou que o projeto moçambicano está "muito bem posicionado", acrescentando que as condições em Cabo Delgado estão melhorando progressivamente após anos de incerteza. A empresa americana planeja fazer uma decisão final de investimento (FID) no início de 2026 para um projeto estimado em 30 bilhões de dólares.
TotalEnergies, por sua vez, suspendeu seu projeto Moçambique LNG, no valor de 20 bilhões de dólares, em 2021, após o ataque ao site de Palma. O levantamento progressivo da cláusula de força maior, anunciado pelo grupo francês no final de outubro de 2025, marca uma etapa para a retomada oficial das atividades.
Os projetos da TotalEnergies e da ExxonMobil, todos previstos na bacia offshore de Rovuma, compartilham infraestruturas fundamentais, incluindo uma fábrica de liquefação terrestre em Afungi. Este desenvolvimento logístico permite que a ExxonMobil reavalie seus próprios prazos.
Em setembro, Darren Woods encontrou-se com o presidente moçambicano Daniel Chapo em Nova York, para obter garantias de segurança antes de retomar o trabalho, segundo o Financial Times.
De acordo com dados do Ministério moçambicano de Recursos Naturais, as reservas comprovadas na Bacia de Rovuma ultrapassam 85 trilhões de pés cúbicos (Tcf) de gás. Esses recursos colocam Moçambique entre os países africanos mais bem-dotados.
A retomada do projeto é essencial para a ExxonMobil, que busca consolidar sua posição no mercado de gás natural liquefeito. A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que o consumo mundial de gás aumentou 2,7% em 2024, um adicional de 115 bilhões de metros cúbicos, impulsionado pela recuperação da demanda na Ásia e pelo aumento das exportações de GNL para a Europa. Essa tendência apoia a estratégia da ExxonMobil, que aposta no crescimento contínuo do GNL em um mercado onde a demanda global deve crescer mais 1,3% em 2025, de acordo com a AIE.
Abdel-Latif Boureima













Marrakech. Maroc