- Os EUA, o segundo maior poluidor do mundo após a China, minimizam sua participação na COP30 que começa em 10 de novembro no Brasil;
- O anúncio foi feito pela administração Trump, que não enviará um "representante de alto nível" para a conferência global do clima.
A COP30 começará na segunda-feira, 10 de novembro, no Brasil. Os EUA, segundo maior poluidor do mundo após a China, estão diminuindo sua participação nesta importante convenção internacional sobre o clima, mesmo com os desafios ainda sendo imensos.
No sábado, 1º de novembro, a administração Trump anunciou que não enviaria um "representante de alto nível" para a 30ª conferência mundial sobre o clima (COP30), que acontecerá de segunda-feira, 10, a sexta-feira, 21 de novembro, em Belém, Brasil. "O presidente está discutindo diretamente com líderes mundiais sobre questões energéticas, como evidenciado pelos acordos comerciais e de paz históricos que colocam grande ênfase nas parcerias energéticas", disse a Casa Branca, de acordo com declarações veiculadas pela Agência Francesa de Notícias (AFP) e Reuters.
Enquanto este anúncio provoca alguns resmungos a uma semana deste encontro destinado a remobilizar a comunidade internacional sobre questões climáticas, 10 anos após a assinatura do Acordo de Paris na COP21, era no entanto previsível. Ele de fato se alinha com a estratégia do presidente Donald Trump em relação à agenda climática internacional.
Desde sua chegada à Casa Branca, Trump indicou pela segunda vez a retirada dos EUA do Acordo assinado na capital francesa, uma medida que entrará em vigor em janeiro de 2026. Em setembro passado, na tribuna da Assembleia Geral da ONU, o presidente americano também qualificou a mudança climática como "a maior farsa já realizada".
Este anúncio de ausência de uma delegação de alto nível dos EUA ocorre quando várias agências da ONU têm feito apelos há algumas semanas por mais comprometimento. O último relatório do secretariado das Nações Unidas sobre a mudança do clima (UNFCCC) estima que as emissões de gases de efeito estufa (GEE) precisam ser reduzidas em 60% até 2035 em relação aos seus níveis de 2019, para ter esperança de limitar o aquecimento a 2 °C em relação aos níveis pré-industriais.
Por outro lado, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) estimou que uma quantia entre 310 e 365 bilhões de dólares por ano será necessária até o fim da próxima década para permitir que os países em desenvolvimento enfrentem os efeitos do aquecimento global, ou seja, de 12 a 14 vezes mais que os compromissos atuais das nações industrializadas.
Com o anúncio americano, os observadores mais otimistas esperam um aumento da mobilização nas 170 delegações já credenciadas para esta importante convenção sobre o clima. Alguns esperam um compromisso puxado pelos chineses e pela União Europeia, além do esperado envolvimento da sociedade civil e da presidência brasileira na COP, para dar um novo ânimo ao Acordo de Paris, cujo principal mérito é, até agora, existir em um contexto internacional difícil.
Esperança Olodo













Marrakech. Maroc