Face a uma forte dependência da lenha e do carvão vegetal, a Serra Leoa lançou uma estratégia nacional com o objetivo de generalizar o acesso a soluções de cozinha modernas, seguras e acessíveis até 2030.
O governo da Serra Leoa, em parceria com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), lançou oficialmente na terça-feira, 28 de abril, em Freetown, a iniciativa regional «ECOWAS LPG 20/20», destinada a promover o uso do gás de petróleo liquefeito (GPL) como uma solução de cozinha doméstica mais limpa e segura.
Esta iniciativa prevê, na sua fase piloto, apoiar até 10.000 agregados familiares na transição para a utilização de botijas de gás, com o objetivo de reduzir os riscos para a saúde associados ao uso de lenha e carvão, limitar a desflorestação e melhorar as condições de vida das famílias.
Para além do acesso das famílias, a iniciativa visa também estimular o investimento privado, reforçar as normas do setor e desenvolver cadeias de abastecimento capazes de tornar o GPL mais acessível e económico a nível nacional.
Uma estratégia nacional apoiada por reformas estruturais
Na Serra Leoa, os desafios continuam a ser consideráveis. Menos de 2% dos agregados familiares utilizam atualmente combustíveis e tecnologias modernas de cozinha, enquanto mais de 98% ainda dependem da lenha ou do carvão vegetal, com impactos significativos na saúde pública e no ambiente.
Para inverter esta tendência, as autoridades adotaram em 2025 a Estratégia Nacional para uma Cozinha Limpa 2025-2035, liderada pelo Ministério da Energia com o apoio do Banco Mundial e de outros parceiros. Este quadro assenta em cinco prioridades: melhoria da acessibilidade financeira através de subsídios, campanhas de sensibilização, reforço do apoio às empresas do setor, implementação de normas de segurança e qualidade, bem como uma melhor coordenação institucional.
Paralelamente, o país iniciou uma reforma fiscal na Lei do Orçamento de 2026. Esta elimina os direitos aduaneiros sobre vários equipamentos de cozinha limpa, nomeadamente botijas e combustíveis GPL, fogões melhorados e alguns equipamentos solares. Esta medida visa reduzir os custos para as famílias, ao mesmo tempo que estimula o desenvolvimento do mercado nacional de soluções energéticas limpas.
No Pacto Nacional para a Energia da Serra Leoa, o governo pretende aumentar o acesso a soluções de cozinha limpa de 1,5% para 25% da população até 2030, posicionando o país como um dos atores da África Ocidental empenhados na transformação do seu modelo energético doméstico.
Charlène N’dimon













Nairobi. Kenya