Eleito a 29 de maio de 2025 e oficialmente investido a 1 de setembro de 2025, o nono Presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), o mauritano Sidi Ould Tah, reuniu em Abidjan os embaixadores dos países membros da instituição, bem como vários parceiros.
Reunidos na quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, no Sofitel Hôtel Ivoire, em Abidjan, os membros do corpo diplomático acreditado junto da República da Côte d’Ivoire participaram no almoço anual organizado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD). O encontro revestiu-se de um caráter particular: tratou-se do primeiro almoço diplomático do Presidente do Grupo BAD, Sidi Ould Tah (foto), eleito no ano passado e agora plenamente empenhado na implementação do seu mandato.
A cerimónia contou com a presença de Nialé Kaba, Ministra de Estado, Ministra dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional, bem como de uma larga maioria de embaixadores e representantes de organizações internacionais. Uma forte mobilização que, segundo o Presidente do BAD, demonstra a importância do diálogo estratégico com os parceiros do continente.
Mobilizar recursos à altura das necessidades africanas
Num contexto internacional que considera “dos mais complexos e agitados”, Sidi Ould Tah começou por recordar a dimensão das necessidades de financiamento do continente. “Estima-se que o continente africano necessite de mais de 400 mil milhões de dólares por ano para financiar o seu desenvolvimento”, sublinhou, reconhecendo que os recursos próprios do Grupo BAD são insuficientes para, por si só, responder a este desafio.
Perante esta realidade, o dirigente recordou os “quatro pontos cardeais” da sua ação atualmente em implementação à frente do BAD. Insistiu, assim, na necessidade de mobilizar financiamentos em grande escala, apoiando-se simultaneamente nos parceiros tradicionais, no setor privado e nos recursos africanos. Esta orientação inscreve-se na continuidade do seu percurso à frente do Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico em África (BADEA), onde desenvolveu relações estreitas com financiadores do mundo árabe. Em Abidjan, manifestou claramente a sua intenção de atrair mais capitais para reforçar a capacidade de intervenção do BAD.
O segundo pilar da visão presidencial é a criação de uma nova arquitetura financeira africana. Para Sidi Ould Tah, o problema não reside tanto na falta de recursos, mas sim na sua má alocação. “A África não carece de recursos”, afirmou, recordando que os ativos sob gestão dos fundos soberanos, fundos de pensões e investidores institucionais africanos representariam pelo menos 1 bilião de dólares, ainda largamente orientados para aplicações pouco produtivas para o desenvolvimento.
A reforma proposta visa uma melhor coordenação das instituições financeiras africanas, frequentemente fragmentadas, em torno de uma arquitetura a três níveis — continental, regional e nacional — na qual o BAD desempenharia o papel de maestro. “Juntos, poderíamos mobilizar recursos significativos para financiar o desenvolvimento de África”, insistiu, evocando concertações já iniciadas com bancos de desenvolvimento, fundos soberanos e, em breve, com os bancos centrais.
Demografia, emprego e infraestruturas no centro do mandato
Os dois últimos eixos da estratégia presidencial visam diretamente a transformação estrutural do continente. Recordando que África é o continente mais jovem do mundo, com uma idade mediana de 19 anos, Sidi Ould Tah alertou para os riscos da inação. “É essencial desenvolver, em grande escala, atividades transformadoras capazes de criar milhões de empregos”, declarou, defendendo o reforço das PME, a formalização progressiva da economia informal e uma reformulação dos sistemas educativos, com especial enfoque na formação técnica e profissional.
Esta dinâmica deve assentar em infraestruturas resilientes, capazes de sustentar a criação de valor local, alargar a base fiscal dos Estados e enraizar de forma duradoura a transformação económica.
Em conclusão, o Presidente do BAD reafirmou a sua vontade de reforçar as parcerias com os acionistas regionais e não regionais da instituição, numa lógica de benefício mútuo. “A África precisa de investir, mas também precisa de oferecer oportunidades de investimento aos setores privados dos seus parceiros”, resumiu, considerando que esta abordagem constitui a chave para uma prosperidade partilhada e sustentável.
Moutiou Adjibi Nourou













Marrakech. Maroc