A nova equipa governamental da Guiné conta com 29 ministros. Mariama Ciré Sylla assume o cargo de Ministra das Finanças, enquanto novas figuras passam a integrar as pastas das Finanças e da Justiça.
As recentes eleições na Guiné ocorreram na sequência de uma transição política iniciada após a destituição do Presidente Alpha Condé, em setembro de 2021. Conduzido pelo CNRD (Comité Nacional da Reunião para o Desenvolvimento), este período foi marcado por tensões políticas, sucessivos adiamentos do calendário eleitoral e fortes expectativas em torno do regresso à ordem constitucional.
No plano social, os desafios permanecem profundos. A inflação, estimada em 5,1 % em 2024 segundo o Banco Mundial, continua a corroer o poder de compra. A taxa oficial de desemprego (entre 4,5 % e 5,8 %) oculta uma realidade dominada pela informalidade e pela precariedade, sobretudo entre os jovens.
Cerca de 52 % da população vive abaixo do limiar internacional de pobreza (3,65 dólares PPC por dia), com aproximadamente 1,8 milhões de pessoas recentemente empurradas para a pobreza. Estas dificuldades são agravadas por fortes desigualdades territoriais e de género, bem como por uma elevada taxa de analfabetismo (68 %), segundo o Instituto Nacional de Estatística citado pelo MEPUA em 2024, afetando maioritariamente as mulheres em zonas rurais.
Do ponto de vista económico, a Guiné registou um crescimento sustentado, impulsionado pelo setor mineiro, com um PIB real em aumento de 7,1 % em 2023 e cerca de 5,7 % em 2024. As perspetivas mantêm-se favoráveis, com um crescimento esperado em torno de 6,5 % em 2025 e um potencial de crescimento a dois dígitos a médio prazo, graças ao projeto Simandou.
No entanto, esta dinâmica continua pouco inclusiva: a criação de empregos formais permanece limitada, a mobilização das receitas públicas é fraca — cerca de 13 % do PIB — e a dependência das matérias-primas é elevada.
O principal desafio para as novas autoridades será transformar este crescimento impulsionado pela mineração em desenvolvimento económico sustentável, criação de empregos e investimentos produtivos.
É neste contexto que o Primeiro-Ministro Amadou Bah Oury (foto) procedeu à formação do novo Governo, na quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, com a missão de responder a estes grandes desafios e lançar as bases de um desenvolvimento sustentável e inclusivo promovido pelo Presidente da República, Mamadi Doumbouya.
Nesta arquitetura governamental, o sucesso da ação pública dependerá em grande medida da capacidade de traduzir as ambições políticas em resultados económicos concretos. Embora todo o Executivo esteja envolvido, o peso da responsabilidade recai de forma particular sobre a Ministra das Finanças, Mariama Ciré Sylla, chamada a desempenhar um papel central no processo de reformas.
Ingrid Haffiny (estagiária)













Marrakech. Maroc