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Guerra no Irão: a Coreia do Sul quer construir novas rotas de abastecimento na Argélia

Guerra no Irão: a Coreia do Sul quer construir novas rotas de abastecimento na Argélia
Terça-feira, 7 de Abril de 2026

As tensões em torno do estreito de Ormuz estão a perturbar os fluxos petrolíferos mundiais, levando os importadores a tentar assegurar os seus abastecimentos e a diversificar as suas fontes para países mais estáveis.

A guerra no Irão perturbou profundamente os mercados energéticos globais. O encerramento efetivo do estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do consumo mundial de petróleo e gás, provocou uma forte volatilidade dos preços e evidenciou a vulnerabilidade das cadeias de abastecimento. Neste contexto, as grandes economias importadoras procuram reduzir a sua exposição a esta zona sob tensão.

A Coreia do Sul, fortemente dependente das importações de hidrocarbonetos, insere-se nesta dinâmica. Na segunda-feira, 6 de abril, as autoridades de Seul anunciaram o envio de emissários especiais para vários países, incluindo a Argélia, a Arábia Saudita e Omã, com o objetivo de garantir novas fontes de abastecimento de petróleo bruto. A informação, avançada pelo deputado Ahn Do-geol, do Partido Democrático da Coreia no poder, foi amplamente divulgada pela imprensa local.

Esta iniciativa traduz a vontade de diversificar os fornecedores e, sobretudo, de contornar as rotas marítimas mais expostas a perturbações geopolíticas. Neste contexto, a Argélia desperta um interesse crescente. Já parceira energética da Coreia do Sul, afirma-se progressivamente como uma alternativa credível por várias razões. Por um lado, a sua capacidade de produção e exportações regulares fazem dela um fornecedor fiável num cenário de tensões nos mercados. Por outro, as suas infraestruturas e rotas de exportação, menos dependentes do estreito de Ormuz, oferecem uma resiliência particularmente valorizada pelos importadores.

Esta atratividade insere-se numa tendência mais ampla. A Argélia está também no centro da estratégia energética de vários países europeus, nomeadamente Itália, que procura compensar as perturbações no abastecimento de gás natural liquefeito proveniente do Qatar. O aumento dos fluxos argelinos para a Europa ilustra este reposicionamento, com uma procura crescente por fornecimentos via gasoduto, considerados mais estáveis do que os fluxos marítimos.

Para a Coreia do Sul, a segurança destas novas rotas não passa apenas pela via diplomática. As autoridades estudam igualmente soluções logísticas, como o recurso a portos situados fora do Golfo Pérsico, nomeadamente no mar Vermelho. O objetivo é reduzir os riscos associados à passagem por zonas de conflito, mantendo ao mesmo tempo um nível de abastecimento suficiente para a economia nacional.

Paralelamente, Seul ativa os seus mecanismos internos de gestão de crise. O recurso às reservas estratégicas de petróleo e o reforço do acompanhamento das cadeias de abastecimento industrial permitem limitar os impactos imediatos da perturbação dos fluxos. Estas medidas demonstram a necessidade de uma resposta simultaneamente diplomática e operacional face a um choque energético de grande magnitude.

A mais longo prazo, a situação atual confirma uma recomposição dos equilíbrios energéticos mundiais. A Coreia do Sul, tal como outros países importadores, procura afastar-se das zonas mais instáveis e reforçar os seus laços com fornecedores considerados mais previsíveis. Neste contexto, a Argélia surge como um ator cada vez mais central, chamado a desempenhar um papel estruturante nas novas rotas de abastecimento energético.

Olivier de Souza

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