O turismo é, a par do chá e das remessas da diáspora, uma das principais fontes de divisas do Quénia. O ano de 2025 foi positivo para este setor no país da África Oriental.
Em 2025, o setor turístico queniano gerou 500 mil milhões de xelins quenianos (cerca de 3,84 mil milhões de dólares) de receitas, ou seja, mais 10% do que em 2024. De acordo com Rebecca Miano, ministra do Turismo e da Vida Selvagem, o país registou 7,9 milhões de visitantes, face a 7,6 milhões no ano anterior, um novo recorde.
O turismo interno representou 5,2 milhões desses visitantes, e África continua a ser a principal região de origem dos turistas estrangeiros (47%), contra 25% provenientes da Europa. «É inegável que o turismo interno continua a ser um pilar essencial que sustenta a procura e protege o setor contra choques externos», afirmou a responsável.
Este novo pico deixa para trás o período difícil ligado à Covid-19 e marca o quinto ano consecutivo de crescimento das receitas desta indústria. De facto, após o mínimo registado em 2020 (queda de 70% das receitas em termos homólogos, para 88,5 mil milhões de xelins), devido à pandemia de coronavírus que levou à suspensão dos voos internacionais e ao encerramento dos parques e reservas privadas, o setor recuperou significativamente.
Estimado em 870.465 em 2021, o número de turistas internacionais mais do que duplicou até 2023, ultrapassando os 2 milhões nesse ano. Em 2024, o país tornou-se o destino mais visitado da África Oriental, à frente da Tanzânia, impulsionado pela atratividade das suas paisagens junto ao Oceano Índico, pelos seus sítios naturais, pela sua fauna diversificada e também pelo turismo de negócios.
Esforços públicos crescentes
Embora Miano não detalhe as razões deste crescimento, importa destacar que o ano passado foi marcado por várias medidas destinadas a reforçar a oferta turística e o ambiente de negócios. Após a adoção, em março de 2025, de medidas para facilitar a passagem pelo aeroporto Jomo Kenyatta, em Nairobi — incluindo a eliminação da autorização eletrónica de viagem para cidadãos africanos —, o Conselho de Turismo do Quénia (KTB) lançou, em maio, uma campanha global intitulada «A Journey Through the Wild Heart of East Africa», em parceria com a BBC StoryWorks.
O objetivo foi atrair uma clientela de maior valor acrescentado, ao mesmo tempo que se criam empregos nas zonas rurais através de atividades como caminhadas, desportos ao ar livre, safaris especializados e ecoturismo comunitário. Desde 1 de julho, o governo queniano permite aos cidadãos da maioria dos países africanos entrar no território sem visto e permanecer durante 60 ou 90 dias, consoante o país de origem.
Além disso, em setembro de 2025, o KTB estabeleceu uma parceria estratégica com a Visa, com o objetivo de beneficiar da experiência do gigante americano dos pagamentos em análise de dados e digitalização das transações. Graças à plataforma «Government Insights Hub» da Visa, as autoridades quenianas dispõem agora de ferramentas para analisar os fluxos de visitantes, identificar picos sazonais, preferências regionais e comportamentos de consumo, permitindo ajustar as campanhas de marketing e as prioridades de investimento.
As autoridades fixaram como meta alcançar 5 milhões de visitantes internacionais e 5 milhões de turistas domésticos até 2027. Este nível deverá permitir ao Quénia ganhar vantagem num contexto de concorrência crescente com a Tanzânia e o Uganda, embora ainda fique aquém do desempenho de grandes destinos como o Egito e Marrocos, que investem massivamente em infraestruturas, capacidade hoteleira e campanhas de promoção.
Espoir Olodo













Marrakech. Maroc