Indonésia busca novos mercados, particularmente na África do Norte, para exportações agrícolas, em resposta à futura proibição da UE às importações de produtos de áreas desmatadas.
Arif Havas Oegroseno, vice-ministro do Exterior da Indonésia, acredita que a África do Norte pode absorver café e cacau produzidos por pequenos produtores que não têm meios de cumprir as regulamentações da UE.
A Indonésia, principal produtora e exportadora de óleo de palma, e uma influente player no setor de café e cacau, está mirando o continente africano para aumentar suas ambições comerciais.
Os países do norte da África poderiam ser um novo motor de crescimento para as exportações agrícolas indonésias, além da União Europeia (UE). É o que acredita Arif Havas Oegroseno, vice-ministro do Exterior da Indonésia, em uma entrevista concedida à Bloomberg na semana passada.
No país do sudeste asiático, que será afetado pela lei da UE que visa a proibir as importações de produtos básicos como cacau, café, soja, óleo de palma, madeira e carne de áreas desmatadas (EUDR), Oegroseno alega que as autoridades estão pesquisando alternativas.
Com essa medida, que teoricamente será aplicada até o final de 2025, o vice-ministro pontua que o norte da África poderia absorver o café e o cacau cultivados por pequenos produtores, que não têm recursos para arcar com os gastos de conformidade às regras da UE. Entre os países visados, destacam-se o Egito e a Líbia.
"Atender às exigências da União Europeia tem um custo, e este custo é provavelmente maior do que a busca por novos mercados. Enquanto esses gastos se acumulam, o preço de compra não é garantido", adiciona Sr. Oegroseno.
Embora não tenham vazado mais detalhes sobre as ambições comerciais do maior exportador de óleo de palma do mundo, é importante mencionar que o país produziu 180.000 toneladas de cacau em 2023/2024, conforme dados da Organização Internacional do Cacau (ICCO).
Esse volume torna a Indonésia o principal produtor de cacau na região da Ásia e Oceania e o 7º no mundo. O país também é o 5º maior produtor de café do mundo e o 3º fornecedor de robusta, atrás do Vietnã e do Brasil.
Em relação ao potencial do mercado de café no norte da África, a região inclui 4 dos 6 maiores consumidores de café do continente, a saber: Argélia, Egito, Marrocos e Tunísia; os outros dois são a Etiópia (1ª) e a África do Sul (5ª), de acordo com a Organização Internacional do Café (OIC).
No caso do cacau, os dados do TradeMap mostram que o Egito foi o segundo maior importador africano de grãos e preparações de cacau, com compras de 210 milhões de dólares em 2024, atrás apenas da África do Sul. As compras também foram significantes no Marrocos (aproximadamente 165 milhões de dólares) e na Tunísia (43 milhões de dólares) durante o mesmo período.
Esperança Olodo












