A Tanzânia oficialmente abriu seu mercado para produtos pecuários do Brasil, segundo comunicado do Ministério da Agricultura e Pecuária brasileiro.
Essa autorização abrange uma ampla gama de produtos, incluindo carnes processadas e produtos de carne de aves, bovinos, ovinos, caprinos e suínos, além de material genético avícola e bovino.
Em meio a um setor pecuário que representa cerca de 27% do PIB agrícola e aproximadamente 7,1% do PIB total, a Tanzânia oficializou a abertura de seu mercado para os produtos pecuários brasileiros. De acordo com um comunicado emitido na sexta-feira, 7 de novembro, pelo Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil, foram firmados acordos sanitários entre as autoridades dos dois países para esse fim.
Essa autorização inclui a importação de uma ampla variedade de produtos, que englobam carnes e produtos cárneos processados de aves, bovinos, ovinos, caprinos e suínos, bem como material genético avícola e bovino (ovos fertilizados, pintinhos de um dia, embriões in vivo e in vitro). Bovinos vivos para fins de reprodução também estão agora elegíveis para exportação para a Tanzânia.
Em direção ao fortalecimento da base produtiva das fazendas pecuárias locais?
A escolha do Brasil como parceiro comercial por Dodoma para essas categorias de produtos não é insignificante, especialmente considerando a excelente reputação do Brasil no setor pecuário, em particular em relação ao desempenho de seu rebanho.
Com mais de 230 milhões de cabeças de gado, o país sul-americano possui um dos maiores rebanhos do mundo e é reconhecido como uma referência em genética bovina, particularmente por meio das raças Nelore e Girolando, reconhecidas por sua robustez e alta produtividade em climas tropicais quentes.
No setor leiteiro, por exemplo, a produção média do rebanho brasileiro foi de quase 2.362 litros por vaca por ano em 2024, enquanto o setor avícola se destaca com uma produção média estimada em 270 ovos por galinha por ano em 2022, de acordo com dados oficiais.
Comparativamente, a Tanzânia ainda apresenta níveis de produtividade muito mais baixos. Dados compilados pelo Ministério da Agricultura mostram que as vacas locais produzem em média entre 0,5 e 2 litros de leite por dia, enquanto as galinhas locais botam aproximadamente 45 ovos por cabeça por ano, seis vezes menos que as galinhas de postura industrial.
Nesse contexto, a autorização de Dodoma para a importação de raças bovinas de alto potencial e material genético a partir do Brasil sugere um desejo de estimular a produção e produtividade locais, apostando na alavanca da melhoria genética.
Vale a pena notar que a baixa produtividade do rebanho é um dos principais desafios que o governo pretende enfrentar por meio de seu Plano Nacional de Transformação do Setor de Pecuária (LSTP), implementado no período de 2022-2027 a um custo total estimado de cerca de 2 trilhões de shillings (814 milhões de dólares).
Stéphanas Assocle












