- África do Sul consolida posição em 2025 ao exportar recorde de 3,05 milhões de toneladas de cítricos.
- Associação de Produtores de Citros da África do Sul (CGA) atribui aumento a condições meteorológicas favoráveis e maior demanda internacional, especialmente para laranjas e limões.
Na África do Sul, o setor de cítricos é a principal fonte de receita de exportação do setor agrícola. O país, já o segundo maior exportador mundial dessa categoria de frutas, depois da Espanha, consolida sua posição em 2025 com uma melhora em seu desempenho.
Na África do Sul, o setor de cítricos colocou 203,4 milhões de caixas de cítricos, ou seja, 3,05 milhões de toneladas (1 caixa = 15 kg) de frutas no mercado internacional, ao final da campanha de comercialização de 2025. É o que indica a CGA em um comunicado de 10 de novembro.
O volume enviado registra um aumento de 22% em relação à campanha anterior e marca, pela primeira vez, a superação do marco simbólico de 3 milhões de toneladas exportadas. Esse desempenho é resultado de um aumento nos volumes de exportação em todas as categorias de frutas.
Em detalhes, a laranja, representada pelas variedades "Navel" e "Valencia", permanece no topo das vendas com um volume de 1,39 milhão de toneladas enviadas, o que representa cerca de 45% do total de remessas, seguido por tangerina (26,3%), limão (20,3%) e toranja.
Condições Favoráveis
A CGA atribui esse aumento a condições meteorológicas favoráveis nas principais zonas de produção e à entrada em produção de jovens pomares plantados nos últimos anos, que permitiram aumentar a colheita e os volumes exportáveis. Além disso, houve uma demanda maior nos mercados internacionais, principalmente por laranjas e limões destinados à transformação, bem como um final precoce da temporada no hemisfério norte, que prolongou a janela de vendas da África do Sul.
O setor sul-africano também se beneficiou do recuo da competitividade do Egito, seu principal concorrente no mercado europeu, principal destino para suas laranjas. O aumento da transformação no Egito resultou em uma queda nas exportações e em um aumento nos preços, que se tornaram insustentáveis para os compradores europeus. Assim, os países da UE aumentaram suas importações de laranjas sul-africanas em 46% (463.263 toneladas), enquanto reduziram as de origem egípcia em 30%.
Do ponto de vista logístico, a melhoria na eficiência portuária também desempenhou um papel crucial. De acordo com a CGA, a empresa pública Transnet investiu em novos equipamentos e implementou incentivos à produtividade para seus funcionários, promovendo um fluxo de exportação mais fluido. "A cooperação entre os operadores logísticos e as companhias de navegação permitiu a criação de um ecossistema logístico particularmente eficiente", destaca o comunicado.
Desafios Comerciais no Horizonte
Apesar desses resultados, o setor continua enfrentando desafios estruturais. A CGA considera que os altos custos dos insumos, a volatilidade dos preços e, especialmente, as barreiras comerciais em alguns mercados impactam a lucratividade. A associação está particularmente preocupada com a imposição de uma taxa aduaneira de 30% pelos Estados Unidos sobre os cítricos sul-africanos, que entrou em vigor em agosto de 2025, perto do fim da temporada comercial, e cujo impacto foi limitado, mas pode ser muito maior em 2026 se nenhuma solução for encontrada.
"No entanto, continuamos muito preocupados com o impacto que essa taxa de 30% terá na temporada 2026. É por isso que um acordo comercial mutuamente benéfico entre os Estados Unidos e a África do Sul precisa ser alcançado com urgência", pode-se ler no comunicado.
De acordo com dados compilados na plataforma Trade Map, os Estados Unidos absorveram cerca de 5% do volume de exportação de cítricos sul-africanos nos últimos 5 anos. No entanto, as tarifas alfandegárias de Trump esfriaram as perspectivas de crescimento no país do Tio Sam, que contudo surge como o maior importador mundial de cítricos.
Vale lembrar que a CGA tem como objetivo aumentar seus volumes de exportação de cítricos para 260 milhões de caixas, ou 3,9 milhões de toneladas por ano até 2032.
Stéphanas Assocle













Marrakech. Maroc