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Videojogos em África: um mercado de 2,3 mil milhões de dólares impulsionado pelo smartphone (SpielFabrique)

Videojogos em África: um mercado de 2,3 mil milhões de dólares impulsionado pelo smartphone (SpielFabrique)
Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2026

Os jogos móveis representam 87 % do mercado de gaming africano, embora a quota das consolas e dos PC deva crescer com a melhoria da acessibilidade financeira do equipamento informático e o surgimento de uma classe média mais aberta à cultura do «pay-to-play».

Em África, o mercado dos videojogos gerou mais de 2,29 mil milhões de dólares em receitas em 2025, impulsionado sobretudo pela expansão dos jogos distribuídos através de aplicações móveis, segundo um relatório publicado na terça-feira, 10 de fevereiro, pelo acelerador de estúdios de desenvolvimento de videojogos SpielFabrique e pela Xsolla, empresa especializada em soluções de pagamento para a indústria do gaming.

Intitulado «State of the Industry: African Video Game Report 2026», o relatório indica que este mercado regista uma taxa média de crescimento anual de 12,32 %, um nível significativamente superior ao do mercado global (7,5 %).

Os principais mercados em termos de receitas são o Egito (368 milhões de dólares), a Nigéria (300 milhões), a África do Sul (278 milhões) e o Quénia (46 milhões). Nestes países, como no restante continente, a atividade de gaming concentra-se nos grandes centros urbanos.

O rápido crescimento do mercado africano é impulsionado pelo forte desenvolvimento dos jogos disponíveis em telemóveis, que representam cerca de 87 % da base de jogadores.

Os jogos para PC e consola estão em crescimento, embora sejam menos difundidos do que os acessíveis via telemóvel e estejam amplamente limitados a segmentos urbanos específicos e a jogadores com rendimentos mais elevados. Já a adoção de videojogos em realidade virtual (VR) e realidade aumentada (AR) é atualmente negligenciável no continente. O cloud gaming é o segmento com crescimento mais rápido, com uma taxa média anual estimada em 14 %, oferecendo uma alternativa potencial às experiências tradicionais em consola, embora o seu desenvolvimento permaneça fortemente dependente da disponibilidade de ligações à Internet de qualidade. Esta situação deverá, contudo, evoluir com a melhoria da acessibilidade do equipamento informático e o surgimento de uma classe média mais recetiva à cultura do «pay-to-play».

Desenvolvedores africanos privilegiam mercados internacionais

Os jogos mais populares em África são Candy Crush (10,4 %), PUBG (6 %), FIFA (2,2 %), Dream League Soccer (1,8 %) e Temple Run (1,6 %).

A monetização dos videojogos no continente continua, no entanto, condicionada por dificuldades de pagamento, dado que cerca de 90 % dos africanos não têm acesso a cartão de crédito ou a crédito nas lojas de aplicações.

A Google Play continua a ser a principal plataforma de distribuição de aplicações de jogos no continente. A App Store detém uma quota de mercado menor, mas mantém relevância nos mercados mais maduros, como a África do Sul e o Egito.

O relatório destaca também o surgimento de novos intervenientes na distribuição de jogos móveis em África. Lançada em 2023, a Gara Store posicionou-se, por exemplo, como uma loja digital focada em África, visando inicialmente a África Ocidental francófona antes de se expandir a todo o continente.

Para além destes novos atores, as lojas de aplicações dos fabricantes (OEM – aplicações pré-instaladas ou integradas nos smartphones), como a Huawei AppGallery e a Samsung Galaxy Store, distribuem vários jogos, embora o seu impacto varie consoante os dispositivos e as regiões. A KaiStore, loja do sistema operativo móvel KaiOS, disponibiliza jogos em telemóveis básicos (feature phones), enquanto as lojas de terceiros que distribuem ficheiros APK (Android Package Kit) permanecem fragmentadas e apresentam riscos mais elevados em termos de confiança e segurança.

O relatório observa ainda que o ecossistema africano é amplamente composto por desenvolvedores em fase inicial e semiprofissionais, bem como por um número mais reduzido — mas em crescimento — de estúdios totalmente profissionais. De modo geral, os estúdios africanos privilegiam os mercados internacionais em detrimento dos públicos locais, como forma de reduzir riscos comerciais. Embora esta estratégia prudente tenha permitido alguns sucessos à escala global, também travou o desenvolvimento de narrativas afrocentradas e aumentou a dependência de consumidores estrangeiros para a geração de receitas.

Walid Kéfi

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