Inundações no noroeste de Marrocos deslocam 188 000 pessoas e reforçam urgência de medidas climáticas
As inundações no noroeste de Marrocos deslocaram 188 000 pessoas, submergiram 110 000 hectares e destacaram a necessidade urgente de medidas de resiliência face às alterações climáticas.
O governo marroquino anunciou que investirá 330 milhões de dólares para apoiar as regiões do noroeste afetadas por várias semanas de inundações. As províncias mais atingidas, como Larache, Kénitra, Sidi Kacem e Sidi Slimane, foram declaradas zonas de catástrofe. Este montante financiará a reparação das infraestruturas danificadas, o reassentamento das famílias deslocadas, a compensação das perdas de rendimento e a recuperação de habitações e estabelecimentos comerciais. O plano visa ainda apoiar agricultores e pequenas empresas, para limitar o impacto económico das inundações nestas áreas.
Desde janeiro, chuvas excecionais provocaram cheias repentinas nas planícies e vales fluviais do noroeste de Marrocos. Estas cheias foram agravadas pela libertação de excedentes de água de algumas barragens cheias, com a taxa de enchimento nacional a passar de 27 % para cerca de 70 %, com picos mais elevados em certas zonas.
A urgência humanitária e económica
As bacias do Gharb e do Loukkos, que irrigam as províncias afetadas, estão entre as áreas agrícolas mais importantes do país. Elas acolhem vastas explorações cerealíferas, criação de gado e grandes plantações de frutas e legumes destinados à exportação. Mais de 110 000 hectares de terras agrícolas foram submersos, afetando culturas de cereais, plantações de frutos vermelhos e hortícolas, bem como explorações de beterraba para açúcar destinadas à exportação.
Segundo as autoridades, 188 000 pessoas foram deslocadas e mais de 143 000 evacuações preventivas ou de emergência foram organizadas para reduzir os riscos humanos. A situação foi particularmente crítica em Ksar El Kébir, cidade histórica com cerca de 120 000 habitantes, onde vários bairros ficaram submersos.
Medidas de socorro e assistência
O acesso a algumas áreas continua restrito, enquanto operações de socorro envolvendo o exército, forças de segurança e autoridades locais foram implementadas. Campos de acolhimento foram montados em cidades como Asilah e Tânger para alojar as populações evacuadas e garantir assistência de emergência. Helicópteros e barcos de resgate também foram mobilizados para facilitar as operações.
Várias grandes barragens foram parcialmente esvaziadas para absorver as novas cheias, mesmo com o degelo nas montanhas do Atlas e do Rif, que atingiu um recorde de 55 495 km², contribuindo para alimentar os reservatórios nas próximas semanas. Estas medidas visam proteger infraestruturas, assegurar o abastecimento de água e limitar danos futuros.
Estas operações ilustram o impacto das alterações climáticas no risco hidrológico em Marrocos. A alternância entre secas prolongadas e precipitações extremas corresponde às tendências observadas na bacia mediterrânica, onde o aquecimento atmosférico intensifica o ciclo da água e aumenta a frequência e a intensidade de episódios pluviais, segundo o 6.º relatório do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC).
O investimento de 330 milhões de dólares traduz-se tanto num imperativo humanitário como num esforço para reforçar a resiliência das populações, infraestruturas e atividades económicas face aos riscos climáticos, fornecendo apoio imediato e preparando o país para futuras precipitações extremas.
Olivier de Souza













Marrakech. Maroc