A empresa biofarmacêutica Biovac começou o teste clínico de uma vacina oral contra a cólera na África do Sul, um avanço notável na luta contra esta doença.
Se bem-sucedida, a vacina poderá ser comercializada a partir de 2028, somando-se a outras soluções já fornecidas por Biovac para doenças como tuberculose, tétano, difteria, poliomielite e hepatite B na África do Sul.
A cólera está em crescimento em todo o mundo desde 2021. O continente africano é a região mais atingida pela doença, mas as respostas locais ainda são fracas e pouco estruturadas.
A empresa biofarmacêutica Biovac iniciou na África do Sul o teste clínico de uma vacina oral contra a cólera, a primeira em 50 anos. Segundo detalhes divulgados pela Bloomberg nesta terça-feira, 11 de novembro, anunciados pelo CEO da empresa, Morena Makhoana, a fase de teste poderia resultar, caso bem-sucedida, na comercialização do vacina já em 2028. Ela agregaria assim às soluções já fornecidas pela Biovac no tratamento de doenças como tuberculose, tétano, difteria, poliomielite e hepatite B na África do Sul.
Embora outros detalhes sobre este teste não tenham sido divulgados, a iniciativa traz esperança na luta contra esta doença diarreica, para a qual 82% dos casos e 93,5% das mortes são registrados na África, de acordo com dados do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC). Em sua atualização de outubro, a organização contabiliza desde o início de 2025, 297.394 casos em 23 países africanos e a morte de 6.854 pessoas.
Em uma escala mais ampla, a cólera tem visto um aumento global desde 2021, pressionando os estoques de vacinas orais contra a cólera e prejudicando vários países no continente. "Globalmente, estão disponíveis 15 a 18 milhões de doses, enquanto a África precisa de 80 milhões de doses. A Zâmbia comprou 1,7 milhão de doses, mas precisa de 3,2 milhões. O Zimbábue precisa de 3,2 milhões de doses, mas obteve apenas 800.000. A RDC é ainda mais mal servida, pois precisa de 5 milhões de doses às quais não teve acesso", explicou Jean Kaseya, CEO da Africa CDC, em fevereiro de 2024.
O anúncio do teste clínico para esta vacina oral contra a cólera foi feito enquanto a Biovac inaugurava em 6 de novembro, em Cape Town, um laboratório de desenvolvimento capaz de produzir vacinas desde as primeiras etapas até a fabricação e formulação final, usando tecnologias avançadas, incluindo RNA mensageiro (mRNA). Um investimento que apoia a ambição da União Africana (UA) de ter 60% das vacinas administradas localmente produzidas na África até 2040, de 1% atualmente.
Esperança Olodo












