A Africa Blockchain Festival 2025 reuniu mais de 1.000 investidores, reguladores e inovadores para discutir a aplicação da blockchain e da inteligência artificial (IA) na integração econômica da África e em sua transformação digital.
Apesar do cenário econômico restritivo, startups africanas de blockchain levantaram US$ 34,7 milhões em 2024, indicando o interesse continuado, embora cauteloso, dos investidores.
Países africanos estão cada vez mais interessados na blockchain. Vários governos a veem como uma ferramenta crucial para aprimorar a governança, reforçar a transparência dos serviços públicos e restaurar a confiança entre o Estado e os cidadãos.
Kigali, em Ruanda, hospedou o Africa Blockchain Festival 2025 de 7 a 9 de novembro. O evento reuniu mais de 1.000 investidores, reguladores e inovadores que exploraram como a blockchain e a IA podem apoiar a integração econômica da África e sua transformação digital.
Realizado sob o tema "O Renascimento da Blockchain e da IA na África", o festival se concentrou nas aplicações práticas de tecnologias emergentes nos campos financeiro, educacional e de governança. As sessões de debate, como "Segurança digital: privacidade, fraudes e deepfakes" e "O futuro do trabalho", buscaram entender como as ferramentas digitais podem ajudar a superar os riscos cibernéticos e os desafios da evolução do trabalho no continente.
Um dos destaques do evento foi o painel "Youth Builders: Como jovens desenvolvedores africanos estão transformando a tecnologia", que apresentou inovadores que usam blockchain, DeFi e IA para produzir soluções em educação, impacto social e inclusão financeira. Os participantes enfatizaram a importância de fortalecer a infraestrutura, desenvolver talentos e implementar políticas de apoio para fazer essas inovações evoluírem.
Durante uma sessão conduzida por Abraham Augustine da Norrsken, as startups receberam orientações sobre como gerir relações com investidores em um ambiente de financiamento restrito. Apesar do cenário econômico global desafiador, as startups africanas de blockchain levantaram aproximadamente US$ 34,7 milhões em 2024, atestando um interesse contínuo, se não um pouco cauteloso, por parte dos investidores.
Segundo a CV VC Africa e o Crypto Valley Journal, as startups de blockchain no continente atraíram mais de US$ 474 milhões entre 2021 e 2023, com Nigéria, Quênia e África do Sul liderando a adoção da tecnologia. Além das criptomoedas, as empresas africanas estão aproveitando cada vez mais a blockchain para a agricultura, saúde, remessas de dinheiro e verificação de identidade, refletindo uma mudança progressiva para aplicações focadas na infraestrutura.
As discussões durante o festival destacaram que, com a economia digital africana estimada para atingir US$ 180 bilhões até 2030, a blockchain poderia melhorar a inclusão financeira, a transparência das cadeias de suprimentos e a eficiência do comércio transfronteiriço. A conferência concluiu com um apelo à criação de quadros regulatórios claros e à colaboração em todo o continente para assegurar que a blockchain e a IA contribuam para um crescimento sustentável.
Cynthia Ebot Takang












