Benin aposta em inteligência artificial que compreende e valoriza suas línguas locais, visando tornar a transformação digital mais inclusiva.
O projeto "JaimeMaLangue", lançado pelo governo beninense em 10 de novembro, busca introduzir as línguas locais no universo da inteligência artificial.
Benin continua a sua estratégia de inovação digital, apostando em uma inteligência artificial capaz de compreender e valorizar suas línguas locais - um passo chave para tornar a transformação digital mais inclusiva e enraizada na realidade cultural nacional.
Na segunda-feira, 10 de novembro, o governo beninense lançou o projeto "JaimeMaLangue", que visa introduzir as línguas locais no universo da inteligência artificial. Realizado pela Agência do Sistema de Informações e Digital (ASIN) em colaboração com o Instituto IIDiA, a iniciativa visa a inclusão linguística e cultural no centro da transição digital.
Realizada sob o tema "Benin fala ao futuro", a cerimônia de lançamento reuniu atores digitais, culturais e de pesquisa. De acordo com o comunicado oficial, o evento marca "o ponto de partida de uma mobilização nacional para a coleta de vozes".
Na prática, o projeto baseia-se na coleta participativa de dados vocais. Os cidadãos são convidados a contribuir para a iniciativa lendo frases em sua língua na plataforma jaimemalangue.bj, um método que permitirá a criação de bases de dados vocais representativas. Essas gravações, validadas por linguistas e engenheiros, serão usadas para treinar modelos de inteligência artificial que podem compreender e reproduzir as línguas do Benin. A fase piloto começa com o "fongbé", antes de ser estendida a outras línguas importantes do país.
A ambição declarada pelo governo é "fazer de cada cidadão um ator do futuro digital do Benin". Segundo os criadores, o projeto se baseia em três pilares principais: inclusão, inovação e herança para fortalecer a presença das línguas nacionais nas tecnologias, estimular a criação de aplicações educacionais e culturais locais, e preservar a diversidade linguística do país.
Esta iniciativa estende os esforços já em curso, tais como o Dicionário de Línguas Beninenses, lançado em julho de 2025, lembra a Sociedade de Rádio e Televisão do Benin (SRTB). Reflete a vontade do governo de construir uma economia digital enraizada nas realidades culturais locais e aberta à inovação. Chega em um momento em que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) enfatiza que, das mais de 7000 línguas faladas no mundo, apenas cerca de 1000 estão presentes online.
Félicien Houindo Lokossou













Marrakech. Maroc