Essa previsão ocorre num contexto em que Ruanda apresenta uma dinâmica econômica sustentada, impulsionada especialmente pelo setor da construção. A agência de classificação também elevou a perspectiva do país para “estável”, citando a redução da incerteza relacionada ao acesso a financiamentos externos.
O crescimento do PIB real de Ruanda deverá ultrapassar 7% em 2027, contra 6,7% esperados para o período 2025-2026, impulsionado pelos setores da construção, agricultura e turismo. É o que indica a agência Fitch Ratings em um comunicado publicado na sexta-feira, 13 de março.
A instituição ressalta, no entanto, que esse crescimento continua exposto a certos riscos, principalmente ligados a possíveis atrasos nos desembolsos oficiais, bem como a perturbações de origem climática ou sanitária.
Além disso, a inflação deverá registrar aumento e atingir 7,6% em 2026, contra 7% em 2025, devido ao aumento dos preços dos produtos alimentares e energéticos. Ainda assim, ela permanece dentro da faixa-alvo fixada pelo Banco Central, situada entre 2% e 8%.
Esse desempenho ocorre num momento em que o país da África Oriental tem experimentado uma expansão econômica sustentada nos últimos anos. No terceiro trimestre de 2025, o crescimento atingiu 11,8%, contra 8,9% em 2024, segundo dados do National Institute of Statistics of Rwanda. Na sequência, o governo realizou o rebaseamento do PIB, tomando 2024 como ano-base, uma operação que permite refletir melhor a estrutura real da economia.
O país, contudo, continua enfrentando um elevado nível de dívida pública, que deverá atingir um pico de 79% do PIB em 2027 (contra 75% em 2025), antes de se estabilizar. Esse aumento será alimentado por déficits primários persistentes, compromissos relacionados ao projeto do Aeroporto Internacional de Bugesera e à expansão da RwandAir, além de uma depreciação gradual da taxa de câmbio, destaca a Fitch. No entanto, a agência observa: “prevemos que o elevado peso da dívida será atenuado pelas condições muito favoráveis da dívida externa, o que se traduzirá numa capacidade de reembolso favorável.”
Paralelamente, o país continua confrontado com um baixo PIB per capita, bem como déficits orçamentários e externos persistentes, que contribuíram para manter elevados os níveis de dívida pública e externa.
Fitch eleva a perspectiva para “estável” e confirma a nota “B+”
A Fitch Ratings confirmou a nota de inadimplência do emissor em moeda estrangeira de longo prazo de Ruanda em “B+”, ao mesmo tempo em que elevou a perspectiva de “negativa” para “estável”. Essa classificação avalia a probabilidade de um Estado ou empresa não reembolsar sua dívida externa em um período superior a um ano.
A decisão reflete uma redução das incertezas sobre o acesso do país a financiamentos externos, em um contexto de melhoria relativa do clima diplomático na região dos Grandes Lagos e de manutenção do apoio dos parceiros internacionais.
“Os desembolsos externos atingiram cerca de 1 bilhão de dólares (6,1% do PIB) no exercício fiscal que terminou em junho de 2025”, destaca a Fitch. Esses fluxos contribuíram para reduzir os riscos de financiamento no curto prazo.
A previsão de crescimento do PIB de Ruanda também se situa acima da média dos países classificados na categoria “B”, estimada em 4,5%.
Lydie Mobio












