Figurando entre os três filmes em competição oficial para a 76.ª edição da Berlinale, Dao faz a ponte entre dois mundos, duas tradições. Alain Gomis recebe assim o seu segundo convite para concorrer ao Urso de Ouro, o maior prémio do prestigiado festival alemão.
A estreia mundial de Dao teve lugar no sábado, 14 de fevereiro, por ocasião da 76.ª Berlinale, com lançamento comercial nas salas de cinema em França previsto para 29 de abril. Depois de ter conquistado o Urso de Prata do Grande Prémio do Júri em 2017 com Félicité, Alain Gomis (foto) regressa aos grandes palcos do cinema internacional com esta obra.
«Não sei se as pessoas vão ler isto como queres mostrar: poderoso, extraordinário, estranho», comenta a Cineuropa, citando o testemunho de uma das personagens deste longa-metragem.
Dao ou a narrativa singular de um regresso às origens
A ação do filme decorre entre dois universos. Gloria, interpretada por Katy Correa, celebra o casamento da filha na periferia parisiense. Algumas semanas antes, na Guiné-Bissau, participava no ritual que eleva o seu pai falecido à categoria de ancestral. Entre estas duas cerimónias — uma voltada para a vida, a outra para a memória — atravessa as fronteiras do real e da ficção, do passado e do presente. Este percurso permite-lhe reconectar-se com a sua história, encontrar o seu lugar e alcançar uma forma de serenidade.
Nos bastidores da realização
A atriz principal empresta ao filme, com uma duração incomum de 3 horas e 5 minutos, toda a sua presença através da sua voz envolvente e profunda. O elenco combina atores conhecidos com intérpretes não profissionais, refletindo a vontade do realizador de misturar ficção e realidade. Entre os outros protagonistas encontram-se: Samir Guesmi (ator francês de Camille redouble e Les Revenants), D’Johé Kouadio, Mike Etienne, Fara Baco, Nicolas Gomis e Béatrice Mendy.
A rodagem do sexto longa-metragem do cineasta franco-senegalês decorreu em 2023, ao longo de 20 dias — 10 dias na Guiné-Bissau e 10 dias nos Yvelines, na região de Paris.
A ideia do filme surgiu em 2018, após o funeral do seu pai na Guiné-Bissau, uma experiência profundamente marcante. «É um filme feito de pequenos detalhes postos lado a lado, que se entrelaçam para formar um mosaico. Cresceu graças a esses detalhes ínfimos», explica o realizador desta coprodução franco-senegalesa e guineense, em competição para colocar mais um filme africano no palmarés da Berlinale, após Dahomey de Matip Diop em 2024.
Ubrick F. Quenum













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