Mais de 1600 representantes relacionados à energia fóssil estão presentes na COP30 em Belém, Brasil
Este grupo ultrapassa em número quase todas as delegações nacionais, exceto a do país anfitrião
Assim como nas edições anteriores, observa-se uma forte presença de representantes do setor petrolífero e gasífero em Belém. Essa tendência acompanha a abertura de uma conferência onde vários temas relacionados ao combate às mudanças climáticas, portanto, ao futuro energético, devem ser avaliados.
Segundo uma nova análise da coalizão Kick Big Polluters Out (KBPO), mais de 1600 representantes ligados às energias fósseis participam atualmente da COP30 em Belém, Brasil. A presença deste grupo representa aproximadamente uma em cada vinte e cinco pessoas inscritas. A coalizão pontua que esses representantes superam em número quase todas as delegações nacionais, exceto a do país anfitrião. Eles também são mais numerosos do que as delegações de vários países vulneráveis, como as Filipinas, ou os dez países mais expostos à mudança climática.
A relevância dessa forte presença vai além de uma simples contagem. Em uma recente publicação, a Comissão Europeia lembra que as COPs são o espaço central onde os países negociam coletivamente decisões que irão guiar a ação climática global. As decisões acordadas ali são tomadas por consenso, e cada delegação tem, assim, o mesmo peso no momento da adoção final. O equilíbrio neste contexto é, portanto, crucial, pois os resultados das COPs influenciam as políticas públicas, as trajetórias de investimento e os compromissos financeiros.
A importância da representatividade também se reflete na natureza dos temas discutidos este ano. As discussões em Belém abordam a redução das emissões, o financiamento climático e as trajetórias de transição. Estes temas concernem diretamente aos sistemas energéticos. A composição das delegações pode, portanto, impactar o modo como as prioridades são definidas e as formulações selecionadas nas conclusões.
Além disso, os debates recentes mostram que as decisões relacionadas à energia fóssil estão ganhando cada vez mais espaço, como evidenciado nas conclusões da COP28. O texto final mencionou pela primeira vez a necessidade de acelerar a transição para fora das energias fósseis nos sistemas energéticos.
Essa mudança representou um marco nas negociações internacionais, pois introduziu explicitamente o tema nas conclusões de uma COP. Também destacou a importância dos equilíbrios entre os participantes no momento em que as discussões abordam o futuro do setor.
Abdoullah Diop












