O crescimento do Burkina Faso atinge 5% em 2025, segundo o FMI; a inflação diminui e as contas públicas melhoram, mas a renda per capita continua baixa e o acesso ao crédito privado diminui, em um contexto de forte dependência do ouro.
Segundo uma comunicação do Fundo Monetário Internacional (FMI) datada de 18 de fevereiro de 2026, o Burkina Faso registou um crescimento económico de 5% em 2025, após 4,8% em 2024. As projeções da instituição situam a expansão do produto interno bruto (PIB) entre 4,5% e 5% por ano até 2028. Ao mesmo tempo, a inflação média recuou para -0,5% em 2025, após 4,2% em 2024, e deverá convergir para 2% a médio prazo.
Essa evolução explica-se em parte pelo crescimento do setor mineral. O FMI indica que a alta dos preços do ouro sustentou a produção e as exportações. O preço médio da onça de ouro é estimado em 3.218 dólares em 2025, contra 2.387 dólares em 2024, com uma projeção de 3.472 dólares em 2026. As exportações, expressas em francos CFA, aumentaram 43,2% em 2025. O saldo corrente passou de um défice de 3,4% do PIB em 2024 para um superávit de 1,1% em 2025, e 0,8% em 2026, segundo os dados do FMI.
No plano orçamental, a instituição observa que o défice público foi contido a 3,5% do PIB em 2025, contra -5,8% em 2024. A dívida pública total, estimada em 57,2% do PIB em 2024, recuaria para 52,1% em 2025, e 49,9% em 2029, segundo as projeções. O FMI atribui essa evolução a um aumento das receitas, principalmente provenientes do setor mineral, e ao controle das despesas.
Apesar desses resultados macroeconômicos, o nível de renda continua baixo. O PIB nominal per capita é estimado em 982 dólares em 2024, 1.127 dólares em 2025 e 1.250 dólares em 2026. Espera-se que atinja 1.427 dólares em 2029, segundo as projeções do FMI. Além disso, os dados oficiais indicam que 43,7% da população vivia abaixo do limiar da pobreza em 2022, com uma taxa de alfabetização de 41% e uma esperança de vida de 62 anos.
Os indicadores de financiamento da economia mostram também uma evolução contrastante. O crédito ao setor privado diminuiu 2,8% em 2025, após uma contração de 2,2% em 2024, segundo o FMI. A relação crédito privado/PIB passou de 31,9% em 2023 para 23,5% em 2025, podendo atingir 21,6% em 2029. Essa queda ocorre em um contexto de consolidação orçamental e prudência por parte do sistema bancário.
Em paralelo, o conselho de administração do FMI aprovou em fevereiro de 2026 um novo programa no âmbito da Facilidade para a Resiliência e Sustentabilidade (RSF), no valor de cerca de 124,3 milhões de dólares, como complemento aos desembolsos previstos no âmbito da Facilidade Alargada de Crédito. Segundo o FMI, o programa visa reforçar a resiliência orçamental face aos choques climáticos, integrar considerações climáticas na gestão das finanças públicas e reduzir a necessidade de importações alimentares de emergência. A instituição lembra que a agricultura de subsistência envolve cerca de 80% da população, que enfrenta riscos climáticos como pressão adicional.
As perspectivas publicadas pelo FMI descrevem uma economia em crescimento, com inflação moderada, um défice reduzido e dívida em queda. Ao mesmo tempo, a renda per capita continua limitada e o financiamento ao setor privado diminui. As projeções para o período de 2026-2029 dependem da manutenção dos preços do ouro e da melhoria da situação de segurança.
Idriss Linge













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