Desde há uma década, os megaprojetos urbanos multiplicam-se no Egito. Estes projetos são impulsionados tanto por capitais provenientes dos países do Golfo como por grandes investidores nacionais.
No Egito, o gigante imobiliário Talaat Moustafa Group (TMG) anunciou, a 18 de abril de 2026, a construção de uma nova cidade chamada “The Spine”, a leste do Cairo, com um investimento de 1,4 biliões de libras egípcias (27 mil milhões de dólares).
De acordo com os detalhes revelados por Hisham Talaat Moustafa, CEO do grupo, durante uma conferência de imprensa, o projeto será desenvolvido numa área de cerca de 2,4 km².
A futura cidade pretende ser um complexo urbano integrado, combinando bairros residenciais, espaços comerciais, escritórios, hotéis, zonas de lazer, centros de retalho e amplos espaços verdes públicos que deverão cobrir mais de 70% da área total. Irá acolher mais de 160 torres residenciais, de escritórios e comerciais.
Este projeto será desenvolvido em parceria com o National Bank of Egypt (NBE), que participa no capital da empresa responsável pelo projeto, a qual foi dotada de 69 mil milhões de libras egípcias (1,3 mil milhões de dólares) de capital realizado.
“The Spine” deverá beneficiar do estatuto de zona especial de investimento, à semelhança de Madinaty — outro projeto emblemático da TMG —, o que lhe proporcionará um enquadramento regulamentar e fiscal favorável para atrair capitais e investidores.
Segundo o Sr. Moustafa, esta nova cidade poderá gerar cerca de 818 mil milhões de libras egípcias em receitas fiscais para o Estado, incluindo imposto sobre as sociedades, IVA, impostos sobre imóveis e outras contribuições ligadas às atividades económicas que aí serão desenvolvidas. Em termos de impacto social, o grupo anuncia a criação de mais de 55 000 empregos diretos e mais de 100 000 empregos indiretos.
Um novo marco na estratégia de megaprojetos urbanos
Este novo projeto confirma uma dinâmica mais ampla de desenvolvimento urbano no Egito. Nos últimos anos, tem-se verificado um forte interesse por investimentos em novas cidades, zonas económicas especiais, polos turísticos e corredores logísticos, com o apoio de importantes fluxos de investimento estrangeiro, nomeadamente provenientes do Golfo.
Entre estes projetos de destaque encontra-se Ras El Hekma, na costa mediterrânica, considerado um dos maiores empreendimentos imobiliários da história do país.
Localizado no governadorado de Matrouh, a cerca de 350 km a norte do Cairo, este megaprojeto deverá abranger uma área de 170 km² e acolher, a prazo, até 2 milhões de habitantes. O projeto prevê a construção de um vasto complexo turístico, uma zona franca, infraestruturas portuárias e aeroportuárias, bem como bairros comerciais e residenciais, com infraestruturas de nível internacional. Ras El Hekma foi objeto de um acordo de investimento histórico assinado em fevereiro de 2024 entre o Egito e os Emirados Árabes Unidos, através do fundo soberano de Abu Dhabi, ADQ.
Paralelamente a esta iniciativa, a Qatari Diar, braço imobiliário do fundo soberano do Qatar, anunciou em novembro de 2025 que planeia investir cerca de 30 mil milhões de dólares num complexo turístico de alto padrão em Alam Al-Roum, também localizado no governadorado de Matrouh. Este megaprojeto, desenvolvido em parceria com a Autoridade das Novas Comunidades Urbanas (NUCA), abrangerá cerca de 20,2 km², com a ambição de transformar uma área ainda largamente virgem num destino turístico e de investimento aberto durante todo o ano.
A Qatari Diar deverá pagar cerca de 3,5 mil milhões de dólares pela aquisição do terreno e mobilizar mais 26,2 mil milhões de dólares em investimentos diretos para desenvolver um conjunto urbano integrado que incluirá bairros residenciais, hotéis com cerca de 4 500 quartos, marinas, equipamentos de lazer, campos de golfe, escolas, universidades e diversas infraestruturas públicas.
Espoir Olodo













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