Gestora de ativos panafricana Enko Capital anuncia financiamento de 100 milhões de dólares para fundo de crédito privado voltado para empresas africanas de médio porte
Investidores proeminentes incluem British International Investment, International Finance Corporation e SICOM Global Fund Limited
A iniciativa do novo fundo de crédito privado de impacto faz parte de um movimento para estruturar o mercado africano de crédito privado, apoiado por financiadores internacionais de desenvolvimento. O objetivo da Enko Capital é reduzir o défice de financiamento das empresas africanas de médio porte e impulsionar um crescimento sustentável no continente.
A gestora de ativos panafricana Enko Capital anunciou na segunda-feira, 20 de outubro de 2025, que angariou 100 milhões de dólares na primeira rodada de captação de seu fundo de crédito privado destinado a apoiar o crescimento econômico e a criação de empregos na África. Trata-se de um fundo de investimento não cotado que empresta dinheiro diretamente às empresas, em vez de comprar ações ou títulos já existentes nos mercados financeiros.
O fundo, denominado Enko Impact Credit Strategy, visa mobilizar 150 milhões de dólares até seu encerramento final, com um teto estabelecido em 200 milhões. Originalmente previsto para uma primeira rodada de 80 milhões de dólares, essa rodada acabou superando as expectativas, alcançando a marca dos 100 milhões, sinal de um interesse crescente dos investidores pelo crédito privado africano.
Essa primeira rodada atraiu investidores proeminentes, incluindo British International Investment (BII), a instituição de desenvolvimento financeiro do Reino Unido, a International Finance Corporation (IFC), a SICOM Global Fund Limited, uma gestora importante de ativos africanos, bem como um investidor europeu, fundos de pensão africanos e vários escritórios familiares.
O veículo de investimento fornecerá financiamentos em dólares americanos a empresas de médio porte atuando na África subsariana, em setores não cíclicos, como agricultura, telecomunicações, manufatura, energia renovável e serviços financeiros. O objetivo é suprir a deficiência crônica de financiamento das PMEs africanas, muitas vezes mal atendidas pelos bancos locais, ao mesmo tempo em que se demonstra o potencial comercial de crédito privado no continente. O fundo espera investir em cerca de dez empresas distribuídas por vários países na África subsaariana.
"Nosso compromisso com essa estratégia reflete a convicção da BII no potencial do crédito privado na África e seu papel na redução da deficiência de financiamento", disse Leslie Maasdorp, diretor geral da BII. Por sua vez, Alain Nkontchou, sócio-gerente da Enko Capital, destacou que "esse primeiro fechamento é um testemunho da crescente confiança dos investidores no desenvolvimento sustentável do continente através do financiamento privado".
Fundada em 2008 pelos irmãos Alain e Cyrille Nkontchou, a Enko Capital atualmente administra 1,3 bilhão de dólares em ativos. O grupo, baseado em Londres e com presença em Joanesburgo e Abidjan, já realizou várias saídas bem sucedidas através do Enko Africa Private Equity Fund, inclusive na Netis Holding (telecoms), na Law Union Rock Insurance (seguros) e na Madison Financial Services (Zâmbia).
A iniciativa desse novo fundo se enquadra no processo de estruturação do mercado africano de crédito privado, que ainda está se desenvolvendo, mas está em forte expansão, apoiado por financiadores internacionais de desenvolvimento. Para Mohamed Gouled, vice-presidente de indústrias da IFC, "ampliar o acesso ao financiamento para empresas de médio porte é essencial para acelerar um crescimento inclusivo e sustentável".
Fiacre E. Kakpo












