Fortes de uma crescimento sustentado nos últimos anos, as exportações marfinenses ultrapassam os 14 mil milhões de dólares, impulsionadas por uma dinâmica de diversificação e de transformação local.
As autoridades da Costa do Marfim pretendem reforçar o papel do Conselho Nacional das Exportações (CNE), após um balanço das exportações considerado em alta. É o que resulta da 8.ª reunião plenária do CNE, realizada na segunda-feira, 20 de abril, em Abidjan.
Criado há doze anos, este órgão consultivo, ligado ao Ministério do Comércio, da Indústria e do Artesanato, tem-se afirmado progressivamente como um ator-chave do comércio externo, com uma experiência reconhecida na estruturação de fileiras e na melhoria da competitividade. Para reforçar o seu papel, o governo prevê a construção e a instalação de armazéns especializados nas fronteiras terrestres, com o objetivo de facilitar as trocas comerciais.
A médio prazo, as prioridades passam pela valorização dos agropolos, pela promoção da transformação local e pela implementação efetiva da Política Nacional do Comércio Externo (PNCE). Nesta dinâmica, está igualmente prevista uma maior implicação do Conselho na estruturação de novas fileiras de exportação, nomeadamente ligadas a produções emergentes.
Desempenhos sólidos impulsionados por produtos estratégicos
As exportações marfinenses registaram um crescimento médio anual de 6,3% «ao longo dos últimos cinco anos», segundo Olivier Daipo, diretor de gabinete adjunto do ministro do Comércio, ultrapassando os 14 mil milhões de dólares em 2023, o que representa um aumento de 5,2% em relação ao ano anterior.
Em 2023, a Costa do Marfim consolidou a sua posição como motor económico regional, destacando produtos de primeira linha como o cacau e os seus derivados, os produtos petrolíferos, o ouro bruto e a borracha natural. Estes produtos principais representaram, em conjunto, 70,1% do total das exportações.
Esta dinâmica insere-se na estratégia global do governo marfinense, que visa diversificar a economia e reduzir a dependência das exportações de matérias-primas brutas, privilegiando produtos com maior valor acrescentado. Entre 2020 e 2024, o país reforçou a sua resiliência comercial, com exportações em forte crescimento (+72,4%) e um excedente significativo, apesar de um défice registado em 2022.
Este desempenho assenta, nomeadamente, no crescimento da transformação local do cacau, que compensa a diminuição dos volumes exportados. Segundo as previsões da Coface for Trade, o crescimento deverá manter-se sustentado, impulsionado pela solidez das exportações, sobretudo agrícolas — em particular o cacau —, bem como pelos setores extrativos. Após duas épocas de queda devido às condições climáticas e às doenças, a produção deverá recuperar 5,3%, atingindo 1,7 milhão de toneladas.
Reforço dos mecanismos de apoio à exportação
As autoridades marfinenses pretendem acelerar a implementação de ferramentas de apoio à exportação, incluindo uma plataforma de orientação com centro de atendimento, diretório e serviços digitais. Destacam igualmente a criação de armazéns especializados nas fronteiras para facilitar as trocas comerciais.
O CNE é, assim, chamado a alargar o seu campo de intervenção. «O CNE tem uma visão essencial: ser uma verdadeira plataforma de engenharia e de especialização ao serviço das exportações marfinenses», declarou Daipo, sublinhando a necessidade de tornar a instituição «mais eficiente, mais ágil e mais influente».
Carelle Yourann (estagiária)













Nairobi. Kenya