Com os seus campus a acolherem mais de 225 000 estudantes, num contexto de forte pressão sobre as infraestruturas, o Burquina Faso aposta no cinema como nova alavanca de educação e de transformação social.
O Burquina Faso está a dar uma nova imagem à sua juventude universitária. Na sexta-feira, 17 de abril, Ouagadougou viveu os primeiros momentos de uma aventura audiovisual inédita. Na sede do Centro Nacional das Obras Universitárias (CENOU), o ministro do Ensino Superior, da Investigação e da Inovação, Adjima Thiombiano, deu início às filmagens de “SORA”, uma série televisiva que toma o nome da atriz principal. À frente do projeto está o realizador burquinabê Hounsounougan Armel, que leva o espetador ao quotidiano das residências universitárias do país através de 25 episódios de 26 minutos.
A rodagem decorre em colaboração com o CENOU. O realizador define desde já a orientação do projeto. Através de “SORA”, pretende explorar “os desafios, as esperanças, as solidariedades e as realidades do mundo universitário burquinabê”, segundo as suas palavras. A ambição é dupla: produzir uma obra tecnicamente irrepreensível e garantir-lhe projeção para além das fronteiras, sem perder o seu enraizamento local.
O diretor-geral do CENOU, Noël Thiombiano, partilha esta visão. Para ele, a série “é um espelho” que “dá visibilidade a uma realidade muitas vezes vivida na sombra, a de milhares de estudantes que, entre desafios diários e sacrifícios, demonstram uma resiliência e uma criatividade admiráveis”.
O ministro Thiombiano não esconde o seu entusiasmo. Saúda um argumento que “permite contar de outra forma a universidade com autenticidade e verdade”. Para ele, “o cinema é um poderoso instrumento de educação e de transformação social”. Reafirma igualmente o compromisso total do governo em acompanhar o projeto até ao seu sucesso.
SORA, espelho de uma juventude sob pressão
Esta produção surge num momento oportuno. O Burquina Faso contava com 225 902 estudantes em 2023/2024, ou seja, 1003 por 100 000 habitantes, longe da norma da UNESCO fixada em 2000, segundo dados governamentais. A procura cresce, mas as infraestruturas têm dificuldade em acompanhar. O CENOU dispõe apenas de 7390 camas distribuídas por 12 residências universitárias em Ouagadougou, Bobo-Dioulasso e Koudougou, um parque reduzido em 723 unidades em 2024 devido à reabilitação da residência de Kossodo.
A pressão é real e a Federação Estudantil e Escolar do Burquina Faso (FESCIBF) alertava em 2024 para residências “subdimensionadas e em estado de degradação avançada”. No mercado de trabalho, o cenário é difícil: mais de um terço dos jovens diplomados do ensino superior está desempregado, com uma taxa de 34,5%.
Perante esta realidade, o governo tem vindo a multiplicar respostas. Em março de 2025, o programa “Os Estudantes alimentam os estudantes” foi lançado em Koudougou para integrar diplomados através do empreendedorismo agrícola. “SORA” insere-se nesta mesma dinâmica: contar de forma diferente a juventude universitária burquinabê, valorizando-a e abrindo-lhe novos horizontes.
élicien Houindo Lokossou













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