Após 48 horas de conversações em Cotonou, o Benim e o Níger anunciaram acordos de princípio nas áreas da segurança, economia e justiça. Estes progressos poderão abrir caminho para uma reabertura gradual da fronteira comum e para o relançamento da cooperação bilateral.
Reunidas em Cotonou no âmbito de consultas iniciadas na sexta-feira, 19 de junho, as autoridades beninenses e nigerinas chegaram a vários acordos de princípio destinados a restabelecer progressivamente as relações bilaterais.
Os encontros reuniram o ministro de Estado do Níger responsável pela Administração Interna, o general de divisão Mohamed Toumba, e o ministro beninense do Turismo e do Comércio Externo, responsável pela Indústria e pela Promoção do Investimento Privado, Olushegun Adjadi Bakari, acompanhados por uma importante delegação.
No final das discussões, as duas partes anunciaram progressos em matéria de cooperação no domínio da segurança, bem como várias medidas económicas e jurídicas. Os compromissos mencionados incluem, nomeadamente, a isenção de taxas sobre o trânsito de mercadorias, a proibição da colocação em consumo de determinados produtos, a revisão de diversos encargos e a resolução de litígios ainda pendentes.
«Definimos como prioridade absoluta a questão da segurança. Lançámos igualmente as bases para uma normalização económica e jurídica», declarou o general Mohamed Toumba, considerando que a via do diálogo permitirá gerar «valor para as nossas economias, segurança para as nossas populações e esperança para a nossa juventude».
Do lado beninense, o Sr. Bakari saudou o clima que prevaleceu durante os encontros e a vontade comum de restabelecer os laços históricos entre os dois países.
«Após 48 horas passadas juntos, formamos uma única delegação com um único objetivo: fazer renascer este amor e este vínculo secular entre os nossos dois povos», afirmou.
Um descongelamento diplomático com importantes desafios económicos
Esta etapa diplomática insere-se na continuidade da dinâmica iniciada a 2 de junho, em Niamey, durante o encontro entre o Presidente beninense Romuald Wadagni e o seu homólogo nigerino, o general Abdourahamane Tiani.
Encerrada há quase três anos, a fronteira constitui um dos principais símbolos da crise diplomática entre os dois países, desencadeada após a deposição do Presidente Mohamed Bazoum em julho de 2023. Na sequência do golpe de Estado, o Benim aplicou as sanções decididas pela CEDEAO contra as novas autoridades nigerinas. Em resposta, Niamey manteve encerrada a sua fronteira com o país vizinho, mesmo após o levantamento das medidas regionais.
Esta situação afetou as trocas comerciais entre os dois países e abrandou a atividade num dos principais corredores logísticos da sub-região. O valor das trocas comerciais passou de 15,9 milhões de dólares em 2023 para 10,4 milhões de dólares em 2025, segundo dados do International Trade Centre (ITC). As tensões também afetaram o projeto do oleoduto Níger-Benim, destinado a transportar o petróleo bruto nigerino para o terminal marítimo de Sèmè-Podji.
Segundo uma análise da Agência Ecofin, um descongelamento duradouro poderá relançar vários setores, nomeadamente o trânsito e a logística portuária, o comércio de veículos usados, as exportações agrícolas e agroalimentares, bem como os serviços financeiros, a hotelaria e a restauração.
Os acordos de princípio resultantes das discussões terão agora de ser validados pelas autoridades dos dois países antes da sua entrada em vigor.
Charlène N’dimon













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