Na competição entre as plataformas aeroportuárias da África Ocidental para atrair companhias aéreas e passageiros em trânsito, a qualidade das ligações terrestres tornou-se um fator de diferenciação. O Senegal prepara-se para dar um novo passo com a abertura de uma ligação ferroviária direta para o aeroporto Blaise Diagne.
O Senegal prepara-se para colocar em funcionamento o troço Diamniadio – Aeroporto Internacional Blaise Diagne (AIBD) do Train Express Régional (TER), após uma viagem de teste realizada no último fim de semana pelo presidente Bassirou Diomaye Faye. A infraestrutura permitirá, pela primeira vez, ligar Dakar ao seu principal aeroporto internacional por via ferroviária.
O Senegal junta-se assim ao grupo restrito de países africanos que dispõem de uma ligação ferroviária direta entre o seu centro económico e o principal aeroporto internacional. Este tipo de infraestrutura, amplamente difundido nos grandes hubs mundiais, é considerado um elemento essencial da experiência dos passageiros e da atratividade de uma plataforma aeroportuária.
Além de facilitar as deslocações dos viajantes, esta extensão poderá constituir uma alavanca adicional na estratégia de posicionamento do AIBD como centro regional de transporte aéreo. Situado a cerca de 45 quilómetros do centro de Dakar, o aeroporto sofre, desde a sua entrada em funcionamento, com uma localização afastada que aumenta os tempos e os custos de acesso. Até agora, a ligação dependia principalmente da autoestrada com portagem e dos transportes rodoviários.
O desafio é ainda mais importante porque Dakar procura consolidar o seu papel no tráfego aéreo regional. Segundo os dados disponíveis para 2025, o AIBD recebeu cerca de 2,94 milhões de passageiros, contra aproximadamente 2,55 milhões no aeroporto internacional Félix-Houphouët-Boigny de Abidjan, o seu principal concorrente na África Ocidental. Num contexto em que as plataformas regionais competem para atrair companhias aéreas e fluxos de passageiros em ligação, melhorar a acessibilidade terrestre pode representar uma vantagem competitiva.
A nova ligação surge também num momento em que o aeroporto senegalês se aproxima progressivamente dos seus limites atuais de capacidade. Concebido para receber cerca de 3 milhões de passageiros por ano, o AIBD terá de contar com os projetos de expansão previstos pelas autoridades para acompanhar o crescimento esperado do tráfego. A facilidade de acesso à plataforma aparece assim como um complemento aos investimentos previstos nas infraestruturas aeroportuárias.
No entanto, vários observadores sublinham que a abertura de uma ligação ferroviária, por si só, não resolve todas as limitações de conectividade. A eficácia do sistema dependerá nomeadamente da sua integração com os restantes meios de transporte urbano e suburbano. A questão do último quilómetro continua a ser importante para os passageiros que precisam de chegar a zonas afastadas das estações do TER.
O sucesso do projeto dependerá, entre outros fatores, da qualidade das ligações com as redes de autocarros, táxis e outros serviços de mobilidade, mas também da acessibilidade dos preços, da frequência das ligações e da fiabilidade da operação.
Henoc Dossa













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