A Argélia já é o terceiro maior fornecedor de gás natural da Europa. O país procura transformar esta posição numa alavanca para se tornar um exportador de hidrogénio verde para o Velho Continente.
A Sonatrach deu um novo passo na sua relação com a Verbundnetz Gas (VNG AG), uma das maiores empresas alemãs de distribuição de gás natural. No dia 17 de junho, a companhia argelina de petróleo e gás oficializou a assinatura, na sua sede em Argel, de um protocolo de acordo com a empresa europeia.
O entendimento assinado por Noureddine Daoudi, presidente e diretor-geral da Sonatrach, e Ulf Heitmüller, presidente do conselho de administração da VNG AG, tem como objetivo «explorar as possibilidades de cooperação em áreas de interesse comum, nomeadamente o hidrogénio verde», segundo o comunicado oficial da Sonatrach. Até ao momento, não foi anunciado nenhum projeto concreto nem qualquer montante de investimento.
Este desenvolvimento insere-se na continuidade de um primeiro acordo assinado em dezembro de 2022 entre as duas empresas, no domínio do hidrogénio verde. As discussões iniciadas desde então conduziram a este segundo documento, que pretende nomeadamente alargar a cooperação à «redução das emissões de metano».
Uma estratégia que vai além da VNG
Em outubro de 2024, a Sonatrach já tinha assinado acordos semelhantes com várias empresas europeias durante um salão industrial em Orã. O objetivo era estudar a possibilidade de produzir hidrogénio verde na Argélia para o exportar para a Alemanha, Itália e Áustria através de um corredor gasífero comum. Um acordo separado foi também concluído com o grupo espanhol CEPSA para um projeto da mesma natureza.
A Argélia já é o terceiro fornecedor de gás natural da Europa, depois da Rússia e da Noruega, com gasodutos que ligam diretamente o país a Espanha (Medgaz) e a Itália (TransMed). Estas infraestruturas poderão, no futuro, transportar hidrogénio ou amoníaco, reduzindo os custos de transporte para os mercados europeus.
A estratégia argelina não se limita à Europa. Em setembro de 2025, uma análise publicada pela Agência Ecofin destacava que a Sonatrach procurava também estabelecer parcerias com países do Golfo nesta área, diversificando assim os seus potenciais mercados para o hidrogénio verde.
Entre ambições e desafios económicos
Apesar destes sucessivos acordos, o caminho para uma produção comercial de hidrogénio verde continua cheio de obstáculos. Um relatório publicado em junho na revista Nature Energy, por investigadores da Universidade Técnica de Munique, da Universidade de Oxford e da Escola Politécnica Federal de Zurique, revela que produzir hidrogénio verde em África para exportar para a Europa custa muito mais do que o previsto.
De mais de 10 000 locais analisados em 31 países africanos, apenas 2,1% poderiam atingir um nível de competitividade económica até 2030, mesmo com garantias de preços e de compra por parte dos governos europeus. Os custos de produção e transporte continuam elevados, nomeadamente devido ao preço dos eletrolisadores — equipamentos que separam o hidrogénio da água através da eletricidade — e das infraestruturas de transporte necessárias.
Estas limitações ajudam a explicar por que razão, entre 34 projetos de hidrogénio verde identificados em 31 países africanos, apenas dois chegaram a uma decisão final de investimento (FID) e apenas um projeto-piloto está operacional, segundo o mesmo relatório. O acordo com a VNG AG representa assim mais uma etapa na construção progressiva deste mercado, sem garantir, nesta fase, um calendário preciso de produção.
Abdel-Latif Boureima













Boipuso Hall, Fairgrounds, Gaborone