Num contexto em que os ciberataques se intensificam à medida que a transformação digital acelera, o Quénia pretende, através desta agência, reforçar a segurança dos sistemas essenciais e desenvolver competências locais em cibersegurança.
O Parlamento queniano aprovou, na segunda-feira, 22 de junho, a criação da Agência Nacional de Cibersegurança (National Cybersecurity Agency – NCSA), uma entidade autónoma encarregada de coordenar e regular os esforços de cibersegurança a nível nacional.
Representando um marco importante na proteção das infraestruturas digitais do país, a NCSA terá como missão prevenir, detetar e responder às ciberameaças. A sua criação surge num contexto em que os ataques informáticos, nomeadamente fraudes online, ataques de ransomware e roubos de dados, ameaçam a segurança económica e a confiança do público.
«A NCSA reforçará igualmente a colaboração entre os poderes públicos, o setor privado, o meio académico e os parceiros internacionais, garantindo que a nossa economia digital em rápido crescimento permaneça segura, resiliente e digna de confiança», afirmou Raymond Omollo, secretário-geral do Ministério da Segurança Interna e da Administração Nacional, na sua conta da rede social X.
Entre as principais missões atribuídas à agência destacam-se a implementação das políticas nacionais de cibersegurança, a certificação da resiliência das infraestruturas críticas, a supervisão do Centro Nacional de Operações de Cibersegurança, bem como a criação de um centro de excelência dedicado à investigação e à formação.
Face ao aumento das ciberameaças
Esta iniciativa integra-se na estratégia mais ampla do Governo queniano, que considera o digital um motor do desenvolvimento socioeconómico. O desempenho do país nesta área foi, aliás, reconhecido internacionalmente: no Índice Global de Cibersegurança 2024, o Quénia classificou-se em 21.º lugar a nível mundial e em 3.º lugar em África, obtendo as melhores pontuações nos domínios da cooperação, do desenvolvimento de capacidades e da governação organizacional.
Persistem, contudo, alguns desafios, nomeadamente no reforço do quadro regulamentar e das capacidades técnicas. De acordo com dados da Autoridade das Comunicações (CA), o país detetou 12,5 mil milhões de ciberameaças em 2025, o que representa um aumento de 247% em comparação com o ano anterior.
Esta dinâmica é acompanhada pelo lançamento do projeto Kenya Cyber Resilience (KCR), anunciado em janeiro de 2026. Com um financiamento de 454 milhões de xelins quenianos (3,5 milhões de dólares), e com o apoio da União Europeia, esta iniciativa visa melhorar a segurança, a resiliência e a fiabilidade do ecossistema digital nacional.
Charlène N’dimon













Boipuso Hall, Fairgrounds, Gaborone