Através deste orçamento, a EAC pretende consolidar a integração económica, institucional e social num contexto regional e internacional marcado por múltiplas pressões.
A Comunidade da África Oriental (EAC) apresentou um orçamento de 110,9 milhões de dólares para o exercício de 2026/2027 perante a Assembleia Legislativa Regional (EALA).
Sob o tema «Aprofundar o compromisso e concretizar os benefícios da integração», este roteiro pretende reforçar os progressos alcançados pelo bloco regional, respondendo simultaneamente aos novos desafios económicos e geopolíticos.
Segundo o comunicado publicado na quarta-feira, 24 de junho, este orçamento enquadra-se no lançamento da 7.ª estratégia de desenvolvimento, abrangendo o período 2026/27–2030/31. Está estruturado em torno de sete áreas prioritárias: reforço das capacidades institucionais, ao qual são destinados 64% dos recursos; desenvolvimento do comércio e das cadeias de valor; integração social; industrialização; união monetária; infraestruturas; e paz e segurança.
Através destas orientações, a organização pretende intensificar as trocas comerciais intrarregionais, melhorar a competitividade industrial, reforçar os serviços sociais, acelerar a convergência macroeconómica e reduzir os custos comerciais, contribuindo para um crescimento mais integrado.
Uma estratégia lançada num ambiente regional sob pressão
Esta nova programação surge num ambiente regional complexo. A EAC continua confrontada com desafios de segurança persistentes, nomeadamente no leste da República Democrática do Congo (RDC) e no Sudão do Sul. A estes desafios juntam-se limitações institucionais, como os atrasos nas contribuições financeiras de alguns Estados-membros e divergências económicas que continuam a pesar sobre a dinâmica comunitária.
No plano internacional, a região sofre igualmente os efeitos das tensões geopolíticas mundiais, nomeadamente as relacionadas com o conflito no Médio Oriente. Estas evoluções exercem uma forte pressão sobre as economias regionais, com aumento dos custos alimentares e energéticos, bem como oscilações cambiais. Neste contexto, a inflação média anual da região passou de 13,5% em 2024 para 22,9% em 2025.
Apesar destas limitações, a EAC destaca indicadores considerados positivos. A economia regional registou um crescimento de 5,8% durante o exercício de 2025/2026, contra uma média mundial estimada em 3,4%. As trocas comerciais intrarregionais aumentaram 28%, atingindo 19,3 mil milhões de dólares, enquanto foram eliminadas 35 barreiras não tarifárias e implementado um mecanismo digital de garantia aduaneira.
A organização atribui esta dinâmica às «intervenções regionais deliberadas, que incluíram a continuidade da cooperação em matéria de investimento e comércio, o desenvolvimento das infraestruturas e a resposta às alterações climáticas».
Para 2026, a EAC prevê um crescimento regional de 6%, sustentado por um melhor desempenho agrícola, pelo dinamismo do setor dos serviços, pelo aumento do comércio intrarregional e pela continuidade dos investimentos em infraestruturas.
Charlène N’dimon













Boipuso Hall, Fairgrounds, Gaborone