Embora o fosso entre os percursos escolares e as necessidades do mercado de trabalho continue a penalizar os jovens argelinos, Argel inicia uma nova etapa na sua política de orientação escolar e profissional, durante muito tempo vista como um simples exercício administrativo.
O Governo argelino pretende transformar a orientação escolar num verdadeiro instrumento económico. Neste contexto, a ministra da Educação Nacional, Nacima Arhab, e o ministro da Formação e do Ensino Profissional, Mohammed Seghir Sadaoui, reuniram-se na quarta-feira, 24 de junho, em Argel, para analisar formas de melhorar os mecanismos de orientação.
Segundo o comunicado conjunto divulgado pela Agência de Imprensa Argelina (APS), o encontro teve como objetivo a «continuação dos esforços para desenvolver os mecanismos de orientação escolar e profissional».
Na prática, os dois ministérios pretendem «melhorar os mecanismos de orientação dos alunos», permitindo-lhes «fazer as suas escolhas escolares e profissionais com base em informações adequadas». Para isso, apostam numa maior visibilidade dos percursos disponíveis.
A orientação ao serviço do emprego
As especialidades do setor profissional, frequentemente ignoradas, deverão ser melhor divulgadas. O mesmo se aplica aos «percursos do ensino secundário geral e tecnológico». Por detrás deste esforço de clarificação existe uma ambição mais profunda: ultrapassar a lógica de separação que mantém isolados o ensino geral e as áreas técnicas. E garantir que as necessidades da economia passem finalmente a orientar as escolhas dos estudantes.
É neste sentido que o Governo conduz, desde 2025, uma reforma profunda do sistema educativo e de formação. As áreas industriais, agrícolas, digitais e energéticas foram reforçadas. Foram acrescentadas aos programas especializações em inteligência artificial e cibersegurança. Progressivamente, esta via deixa de ser vista como uma alternativa de recurso e afirma-se como um verdadeiro instrumento de integração profissional.
Entre desemprego de longa duração e emprego informal
Esta mudança ocorre num contexto estruturalmente difícil. A população ativa argelina atingiu cerca de 14 milhões de pessoas em 2025, segundo o Gabinete Nacional de Estatística (ONS). Todos os anos, centenas de milhares de jovens entram num mercado de trabalho que tem dificuldade em absorvê-los. Seis desempregados em cada dez estão sem emprego há mais de um ano. Mais preocupante ainda, o chamado «halo do desemprego» abrange quase dois milhões de pessoas adicionais. Trata-se de pessoas inativas que deixaram de procurar trabalho, muitas vezes desmotivadas pelo fracasso de tentativas anteriores.
O setor informal, que representa cerca de 45% do emprego total segundo o Banco Mundial, constitui a principal alternativa para estes trabalhadores. No entanto, continua marcado pela precariedade e pela ausência de proteção social. É precisamente este desequilíbrio que a reforma da orientação pretende corrigir desde a origem.
Félicien Houindo Lokossou













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