Acusada de instrumentalização política por uns e criticada por outros pela aplicação seletiva das suas sanções, a OIF viu três membros fundadores abandonarem a organização em 2025. Procura agora consolidar a sua presença em África francófona através de resultados concretos.
Em África, a juventude é um capital em plena expansão. No entanto, os sistemas de formação continuam a ter dificuldades em ligá-la às oportunidades de uma economia em rápida transformação. É perante este desafio que a Organização Internacional da Francofonia (OIF) decidiu concentrar-se, ao assinar, na quarta-feira, 24 de junho, em Paris, um acordo estratégico com o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).
«Uma primeira fase-piloto, com duração de 12 a 24 meses, será implementada nos cinco países parceiros, seguida de uma extensão progressiva a outros Estados-membros em função dos resultados obtidos», precisa o comunicado oficial.
O Benim, os Camarões, a Guiné, a República Democrática do Congo e Madagáscar são os primeiros beneficiários.
D-CLIC, uma base já testada
Para concretizar este compromisso, a OIF apoia-se no seu programa «D-CLIC, forme-se no digital», lançado em 2021. Destinado aos jovens dos 18 aos 35 anos, o programa prepara-os para as profissões da economia digital. O dispositivo mobiliza 17 operadores de formação acreditados e disponibiliza 32 cursos de curta duração, com uma duração entre três e nove meses.
A fase-piloto abrangeu 14 países francófonos em África, nas Caraíbas e no mundo árabe. Entre eles encontram-se o Gabão, a Costa do Marfim, Madagáscar, o Senegal e a RDC. No total, foram identificadas e classificadas 193 profissões digitais no espaço francófono. Ao longo de cinco anos, a OIF pretende formar dezenas de milhares de jovens. Pelo menos 50% dos beneficiários deverão ser mulheres.
Esta base servirá de fundamento ao novo programa resultante da parceria com o BAD. Este irá mais longe. As duas instituições irão desenvolver formações em desenvolvimento web e móvel, cibersegurança, inteligência artificial e análise de dados.
Uma componente de empreendedorismo complementará a formação técnica, através de campos de prototipagem e aceleradores locais em cada país. Para garantir um impacto duradouro, os governos nacionais e as instituições de formação serão envolvidos na implementação. Esta abordagem pretende adaptar os programas às realidades nacionais e facilitar a transferência de competências para os intervenientes locais.
Um instrumento de recuperação institucional
Esta parceria ultrapassa a questão da empregabilidade. Para a OIF, responde também a uma crise de legitimidade. Em março de 2025, o Mali, o Burkina Faso e o Níger abandonaram a organização. Estes três países fundadores acusam-na de ser um instrumento dirigido a partir de Paris e de aplicar as suas sanções de forma seletiva.
Perante estas críticas, investir no emprego dos jovens envia um sinal simultaneamente político e económico. Ao aparecer ao lado do BAD, a OIF tenta demonstrar o seu valor acrescentado, provar que atua concretamente em benefício das populações africanas e ultrapassar a imagem de uma instituição essencialmente cultural.
Um potencial demográfico a valorizar
O continente africano conta com mais de 420 milhões de jovens entre os 15 e os 35 anos. Segundo o Banco Mundial, representarão 42% da juventude mundial até 2030. No entanto, o mercado de trabalho africano cria apenas 3 milhões de empregos formais por ano. Entre 10 e 12 milhões de jovens entram no mercado nesse mesmo período, segundo o BAD. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que esta diferença estrutural empurra mais de 80% da população ativa africana para a economia informal.
O setor digital apresenta, por sua vez, uma dinâmica inversa. Gerou 115 mil milhões de dólares de valor económico em 2020, segundo o Banco Mundial. Avaliado em 180 mil milhões em 2025, este valor poderá atingir 712 mil milhões até 2050. A África Subsaariana concentra mais de 50% da sua população com menos de 20 anos. Este potencial humano, devidamente orientado para o digital, poderá transformar a OIF num ator relevante do desenvolvimento africano.
Félicien Houindo Lokossou













Boipuso Hall, Fairgrounds, Gaborone