Estes compromissos, materializados em vinte acordos, abrangem setores que vão da agricultura às minas. Inserem-se na ambição assumida de Nairobi de se afirmar como porta de entrada de capitais estrangeiros na África Oriental.
O Quénia anunciou, na quarta-feira, 25 de março, a conclusão de vinte acordos de investimento no valor de mais de 2,9 mil milhões de dólares, na abertura da Conferência Internacional de Investimento (KIICO 2026), um evento anual organizado em Nairobi com a presença de dirigentes empresariais e decisores políticos de todo o mundo.
Estes compromissos, apresentados pelo presidente William Ruto, deverão gerar mais de 63 000 empregos diretos no país. Os setores da agricultura, da indústria transformadora, das minas e do imobiliário concentram a maior parte dos investimentos anunciados.
À frente dos compromissos surge a agricultura, com 890 milhões de dólares mobilizados para projetos nas fileiras do arroz, do açúcar e da horticultura. Entre as iniciativas de destaque, incluem-se um programa integrado de irrigação e produção de arroz no valor de 300 milhões de dólares, promovido pela Tana Bliss Kenya, bem como uma moderna fábrica de açúcar de 285 milhões de dólares desenvolvida pela Tana River Sugar Company.
O setor imobiliário atrai, por sua vez, 630 milhões de dólares, dos quais 380 milhões destinados ao projeto Mombasa Creekside Gardens e 250 milhões ao Nairobi Belle Vue Arch — duas operações com forte participação de investimentos provenientes do Golfo.
No setor mineiro, a empresa australiana NGX Limited comprometeu-se a investir 350 milhões de dólares na exploração de terras raras no condado de Kericho, no oeste do país.
A saúde também não fica de fora, com 310 milhões de dólares em promessas de investimento destinadas a reduzir o recurso a cuidados no estrangeiro, nomeadamente através do projeto Balmer Healthcare, avaliado em 200 milhões de dólares, no condado de Uasin Gishu.
«Em todos os setores da economia, abundam oportunidades prontas a ser exploradas», afirmou Lee Kinyanjui, ministro dos Investimentos, Comércio e Indústria, apelando aos investidores para aproveitarem aquilo que classificou como um «cocktail de oportunidades».
Por sua vez, o chefe de Estado destacou as reformas recentes do governo, incluindo a isenção fiscal sobre serviços exportados, o flexibilizar das regras para empresas tecnológicas estrangeiras e a digitalização em curso do balcão único, cuja plena implementação está prevista para o final de 2026.
Aberta até sexta-feira, 27 de março de 2026, a KIICO 2026 acolhe também o Fórum de Investimento do COMESA e a iniciativa Africa Green Industrialization Initiative (AGII), centrada nas energias renováveis, mobilidade elétrica e economia circular.
Os investidores presentes provêm, nomeadamente, dos Estados Unidos, do Reino Unido, dos Emirados Árabes Unidos, da China, da Índia e da Coreia do Sul.
Editado por M.F. Vahid Codjia












