O país petrolífero tirou partido da subida dos preços do petróleo desde o início do conflito no Médio Oriente para obter taxas de juro mais baixas do que as aplicadas nas suas emissões anteriores.
Angola angariou 2,5 mil milhões de dólares através da emissão de um novo eurobond, anunciou o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, na quarta-feira, 25 de março.
A operação foi estruturada em duas tranches. No valor de 1,5 mil milhões de dólares, a primeira tranche teve uma taxa de 9,25% com maturidade de 7 anos, enquanto a segunda foi de 1 mil milhão de dólares com uma taxa de 9,8% e maturidade de 11 anos.
Falando no final de uma reunião do Conselho de Ministros, Massano destacou que Angola conseguiu obter taxas de juro «muito vantajosas», mais baixas em comparação com as aplicadas em emissões anteriores, apesar de um contexto internacional marcado por um conflito violento no Médio Oriente.
O país exportador de petróleo beneficiou, de facto, da subida dos preços da energia na sequência da guerra no Irão. As tensões geopolíticas e as perturbações no fornecimento de produtos energéticos causadas pelo fecho do estreito de Ormuz provocaram uma forte subida dos preços do crude, que ultrapassaram várias vezes a barreira dos 100 dólares nas últimas semanas.
O ministro angolano da Coordenação Económica destacou ainda a forte procura por parte dos investidores.
«Fomos aos mercados com o objetivo de angariar 2 mil milhões de dólares, mas a procura atingiu cerca de 5,2 mil milhões de dólares [...], e acabámos por angariar 2,5 mil milhões de dólares», afirmou, considerando que a operação «histórica» demonstra a «forte confiança dos investidores internacionais nos progressos da economia angolana».
Financiamento orçamental e gestão da dívida
Segundo Massano, os recursos mobilizados servirão para financiar o orçamento do Estado para o exercício de 2026 e para responder à «grande preocupação» relacionada com o pagamento de atrasados a prestadores de serviços públicos.
A última emissão de Angola nos mercados obrigacionistas internacionais ocorreu em outubro de 2025, quando Luanda angariou 1,75 mil milhões de dólares, parte dos quais foi utilizada para reembolsar obrigações internacionais com vencimento em novembro de 2025.
As emissões de longo prazo em moeda estrangeira de Angola são classificadas como «B-», com perspetiva estável, pela S&P Global Ratings.
Walid Kéfi












