Os conflitos e os choques climáticos são os principais fatores da insegurança alimentar em 2025. Esta situação surge num contexto em que a Nigéria, a RDC e o Sudão enfrentam uma situação de segurança preocupante e um recrudescimento dos ataques.
Em 2025, dois terços das pessoas confrontadas com níveis elevados de insegurança alimentar aguda no mundo vivem em dez países, sendo que um terço se encontra na Nigéria, na República Democrática do Congo (RDC) e no Sudão. É o que indica o Global Report on Food Crises (GRFC), publicado na sexta-feira, 24 de abril de 2026.
Segundo o relatório, a Nigéria ocupa o primeiro lugar com cerca de 30,6 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar aguda em 2025 (IPC/CH Fase 3+). A RDC segue com 27,7 milhões de pessoas, à frente do Sudão (24,6 milhões).
O Sudão do Sul ocupa a nona posição no ranking. «O Sudão do Sul juntou-se à lista das dez maiores crises alimentares em 2025», sublinha o documento. Além disso, a fome foi oficialmente declarada em certas zonas da Faixa de Gaza e no Sudão.
Os conflitos e a insegurança continuam a ser os principais motores da insegurança alimentar aguda, aos quais se juntam os choques climáticos e económicos. Além disso, o financiamento humanitário e de desenvolvimento destinado aos setores alimentares em contextos de crise diminuiu, apesar de a insegurança alimentar aguda global se manter elevada.
No total, 266 milhões de pessoas em 47 países enfrentaram níveis elevados de insegurança alimentar aguda, ou seja, quase o dobro em comparação com 2016.
O GRFC assinala, no entanto, uma ligeira melhoria em alguns países em 2025 face a 2024, nomeadamente no Níger e em certas regiões da Nigéria e do Sudão. Contudo, estes progressos foram «quase totalmente anulados por deteriorações significativas no Afeganistão, na República Democrática do Congo, em Myanmar, no Zimbabué e em outros 12 países».
Conflitos persistentes agravam a insegurança alimentar
Em África, vários países enfrentam uma situação de segurança preocupante.
Na Nigéria, nos últimos meses, várias localidades foram afetadas por uma insurreição jihadista no nordeste, bem como por um aumento do banditismo e dos raptos.
Num comunicado publicado a 22 de abril de 2026, a ONU indica que, na RDC, «há pouco mais de um ano, a crise humanitária gerada pelos conflitos armados no leste do país se agravou, em particular no Kivu do Norte». O país conta atualmente com cerca de 6,47 milhões de pessoas deslocadas, o que o coloca na 5.ª posição mundial entre os países com maior número de deslocados internos.
Quanto ao Sudão, o país está mergulhado numa crise sem fim que, segundo a ONU, «ameaça incendiar toda a região». O conflito opõe o exército do general Abdel Fattah al-Burhan às forças paramilitares de Apoio Rápido e ultrapassou a marca de mil dias de guerra brutal. Mais de 10 milhões de pessoas fugiram das suas casas, metade das quais são crianças.
Para 2026, as perspetivas continuam sombrias. Os conflitos em curso, os choques climáticos e a instabilidade económica deverão manter a insegurança alimentar em níveis críticos em muitos países, alerta a ONU.
Lydie Mobio












