A União Europeia lança um programa trienal no Gana para tornar a produção de cacau mais sustentável e rastreável, em acordo com o Regulamento Europeu sobre o Desmatamento (EUDR).
Com um orçamento de 2 milhões de euros (2,3 milhões de dólares), cerca de 5 mil produtores de cacau serão apoiados diretamente, com a reabilitação de mais de 1.000 hectares de antigas plantações se tornando sistemas agroflorestais entre 2025 e 2028.
Gana, o segundo maior produtor mundial de cacau após a Costa do Marfim, tem na produção de cacau um grande fator no desmatamento. Várias iniciativas estão sendo lançadas com parceiros estrangeiros para reforçar a sustentabilidade do setor.
A União Europeia acaba de lançar um programa de três anos no país, visando tornar a produção de cacau mais sustentável, rastreável e em conformidade com o Regulamento Europeu sobre o Desmatamento (EUDR). A missão da UE no país informou que esse novo parceiro será implementado por meio de um consórcio de quatro organizações da sociedade civil engajadas na governança florestal: Solidaridad West Africa, Tropenbos Ghana, Taylor Crabbe Initiative e a Rights & Advocacy Initiatives Network (RAIN).
Com um orçamento de 2 milhões de euros (2,3 milhões de dólares), 99% financiados pela UE, o programa chamado "Deforestation-Free Cocoa Project" visa apoiar diretamente cerca de 5.000 produtores de cacau, com a reabilitação de mais de 1.000 hectares de antigas plantações integrando sistemas agroflorestais entre 2025 e 2028. As intervenções serão voltadas para 60 comunidades localizadas em Sefwi-Wiawso, Asunafo-Asutifi e Juaboso-Bia, no noroeste do país.
"Nosso objetivo é frear o desmatamento ligado ao cacau por meio do manejo sustentável das plantações existentes, ao mesmo tempo que ajudamos os produtores a diversificar suas receitas através de atividades que geram recursos alternativos", declarou Eric Agare, representante nacional da Solidaridad Ghana.
O problema do desmatamento não é algo novo no setor de cacau da África Ocidental. Um relatório publicado em 2023 na revista acadêmica Nature Food indica que a produção de cacau está diretamente ligada à perda de 386.000 hectares de florestas protegidas na Costa do Marfim e no Gana entre 2000 e 2020.
Vale lembrar que o Regulamento Europeu sobre o Desmatamento (EUDR), previsto para entrar em vigor até o final de 2025, proibirá a importação para a UE de produtos agrícolas como o cacau oriundos de terras desmatadas. Conformar-se a isso é de grande importância para o setor ganês, já que a UE é seu principal mercado.
Dados compilados na plataforma TradeMap mostram que Gana obteve cerca de 2,9 bilhões de dólares em receitas de exportação de cacau e seus derivados em 2024, sendo que 58% vieram dos países da UE.
Stéphanas Assocle












