Num momento em que a transformação digital redefine as necessidades do mercado de trabalho, a formação em competências digitais torna-se um desafio estratégico para os Estados africanos. No Burkina Faso, o reforço do capital humano surge como um fator-chave para o emprego dos jovens.
Os Estados Unidos ponderam lançar, ao longo do ano de 2026, um programa de formação dedicado à digitalização e à inteligência artificial (IA) no Burkina Faso. A informação foi tornada pública na terça-feira, 27 de janeiro, pelo Ministério da Transição Digital, na sequência de uma audiência realizada na quarta-feira, 21 de janeiro, entre a ministra Aminata Zerbo/Sabane (foto, à direita) e a embaixadora dos Estados Unidos em Ouagadougou, Joann M. Lockard (foto, à esquerda).
Segundo a diplomata, esta iniciativa visa reforçar as competências digitais da juventude burquinabê através de sessões de formação previstas nos espaços americanos de Ouagadougou, Bobo-Dioulasso e Koudougou. O programa deverá abranger tanto os usos do digital como as tecnologias emergentes e as aplicações da inteligência artificial, numa lógica de reforço das capacidades locais.
Este anúncio insere-se na continuidade da cooperação digital entre os dois países. Em 2025, um consórcio de empresas americanas já tinha apoiado várias atividades da Semana do Digital do Burkina Faso, demonstrando a vontade de Washington de se envolver mais ativamente no desenvolvimento do ecossistema tecnológico burquinabê.
A iniciativa surge sobretudo num contexto em que os desafios ligados às competências digitais assumem uma importância crescente em África. Segundo o Banco Mundial, cerca de 230 milhões de empregos exigirão competências digitais na África Subsaariana até 2030, fazendo da formação um alavanca estratégica para a empregabilidade dos jovens e a competitividade das economias.
No Burkina Faso, estes desafios são particularmente acentuados. Em 2023, 34% dos jovens burquinabês não estavam nem empregados, nem a estudar, nem em formação, segundo o Banco Mundial, citado num relatório do Afrobarometer publicado em junho de 2025. A taxa de desemprego jovem é, por sua vez, estimada em 8,2%, ilustrando as dificuldades persistentes de inserção no mercado de trabalho.
Neste contexto, o reforço das competências digitais surge como um eixo prioritário para acompanhar a transformação económica do país. Se se concretizar, a colaboração anunciada com os Estados Unidos poderá contribuir para alargar as oportunidades profissionais dos jovens, apoiar o surgimento de novas profissões ligadas ao digital e sustentar a estratégia do governo burquinabê em matéria de soberania digital e de desenvolvimento do capital humano.
Samira Njoya













Marrakech. Maroc