Apesar da manutenção de uma perspetiva «negativa», o relatório destaca a continuação esperada da redução da dívida, que poderá atingir 40,2% do PIB até 2027, graças a um crescimento relativamente resiliente e a um melhor controlo dos défices públicos.
A agência internacional Fitch Ratings confirmou a notação soberana de longo prazo em moeda estrangeira dos Camarões em «B», mantendo, contudo, uma perspetiva negativa, na sua última avaliação publicada na sexta-feira, 24 de abril.
Esta classificação reflete um crescimento moderado, uma dívida controlada e acesso aos mercados financeiros, mas continua limitada por fragilidades na gestão das finanças públicas e por incertezas políticas.
A Fitch considera, de facto, que os riscos associados à transição de poder diminuíram, embora não tenham desaparecido. A reforma constitucional de abril de 2026, que introduz o cargo de vice-presidente encarregado de assegurar a continuidade do executivo em caso de vacatura, constitui um elemento de estabilização.
«Ainda não se sabe exatamente quem ocupará esta função, e os riscos persistem, tendo em conta o ambiente sociopolítico fragmentado. O vice-presidente passa a ser diretamente nomeado pelo presidente e substitui o chefe de Estado em funções em caso de vacatura até ao final do mandato», indica a agência de notação. Anteriormente, uma vacatura da presidência conduziria a novas eleições presidenciais, na ausência de um sucessor designado do presidente Biya (com 93 anos), acrescenta.
Crescimento económico
No plano económico, a Fitch destaca a relativa resiliência da economia camaronesa e antecipa um crescimento de cerca de 3,7% no período 2026-2027, impulsionado pelo petróleo, pela mineração e pela eletrificação. A agência assinala, no entanto, riscos ligados a um eventual choque energético global que possa afetar as importações de combustíveis e fertilizantes.
No plano orçamental, o défice deverá passar de 2,2% do PIB em 2025 para 1,6% em 2026, antes de subir ligeiramente para 1,8% em 2027. Esta melhoria assenta no aumento das receitas não petrolíferas e no controlo das despesas, embora a mobilização de receitas continue limitada pelo setor informal e por fragilidades administrativas.
A gestão das finanças públicas permanece um ponto sensível, com atrasos de pagamento estimados em 560 mil milhões de FCFA (1 mil milhão de dólares) em 2025 e com operações da Sociedade Nacional de Hidrocarbonetos a reduzirem a transparência orçamental. O acesso ao financiamento continua igualmente a ser um desafio.
No que diz respeito à dívida, esta mantém-se globalmente controlada. «A dívida pública é estimada em 41,2% do PIB em 2025 e deverá diminuir para cerca de 40% até 2027», um nível inferior à mediana da categoria «B», fixada em 51%, projeta a Fitch. Esta melhoria estatística esconde, contudo, tensões persistentes, nomeadamente o peso do serviço da dívida e a dependência de financiamentos externos.
Os Camarões parecem, ainda assim, determinados a prosseguir as suas reformas económicas. No âmbito das suas negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o país prevê uma consolidação orçamental progressiva e uma melhoria na mobilização das receitas internas. Uma trajetória que, segundo a Fitch, será determinante para reforçar de forma duradoura a estabilidade macroeconómica do país.
Sandrine Gaingne













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