O Egito enfrenta um ambiente económico sob pressão, marcado por tensões geopolíticas que pesam sobre a oferta global dos mercados energéticos mundiais.
No Cairo, o governo egípcio decidiu abrandar alguns projetos públicos com elevado consumo de combustível por um período inicial de dois meses. O anúncio foi feito no sábado, 28 de março, pelo primeiro-ministro Moustafa Madbouly, durante uma conferência de imprensa no âmbito do Conselho de Ministros.
A medida visa prioritariamente os projetos que exigem grandes quantidades de gasóleo, segundo declarações oficiais. É acompanhada por uma redução de 30% no consumo de combustível dos veículos públicos. Algumas administrações irão também aplicar dias de teletrabalho para limitar as deslocações.
Durante a conferência, Moustafa Madbouly precisou que estas medidas têm como objetivo conter o consumo nas atividades públicas mais intensivas em energia. «O governo não tem outra escolha senão implementar esta decisão», declarou o primeiro-ministro.
Este dispositivo insere-se numa série de ajustes temporários, segundo o governo egípcio. Até ao momento, as autoridades não indicaram se estas restrições poderão ser prolongadas para além do período anunciado.
Estas decisões surgem num contexto de fortes tensões nos mercados de energia ligadas à guerra no Médio Oriente. No relatório Oil Market Report de março de 2026, a Agência Internacional de Energia (AIE) indica que a guerra no Médio Oriente «cria a maior perturbação da oferta de petróleo na história do mercado mundial», devido, nomeadamente, a bloqueios no abastecimento.
Um quadro macroeconómico ainda frágil
Esta restrição nas despesas públicas ocorre num ambiente económico já pressionado. O Egito continua envolvido num programa alargado de financiamento com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Num comunicado oficial publicado em fevereiro de 2026, a instituição validou a continuação do acordo Extended Fund Facility, no valor de 8 mil milhões de dólares, aprovado em dezembro de 2022 e prolongado até 15 de dezembro de 2026.
As margens de manobra externas continuam, contudo, estreitamente ligadas ao nível das reservas cambiais. Numa publicação de 4 de março de 2026, o Banco Central do Egito indica que as reservas internacionais líquidas atingiram 52,75 mil milhões de dólares no final do mês de fevereiro, um nível considerado excecional.
Em 25 de março de 2026, durante trocas oficiais citadas pelo Ahram Online, o presidente Abdel Fattah al-Sissi e o primeiro-ministro Moustafa Madbouly destacaram a importância de garantir as reservas em divisas face às evoluções económicas em curso.
Esta situação ocorre num momento em que o país enfrenta importantes compromissos financeiros externos. Numa análise publicada em novembro de 2025, a Capital Economics indica que o Egito deverá enfrentar um serviço da dívida externa estimado em 27 mil milhões de dólares em 2026.
Várias instituições sublinham igualmente vulnerabilidades persistentes. Numa nota de 17 de março de 2026, o think tank Atlantic Council menciona um risco de desequilíbrio da balança de pagamentos caso os preços do petróleo se mantenham elevados.
Abdel-Latif Boureima













Marrakech. Maroc