Desde o anúncio, em janeiro de 2024, da retirada dos membros da AES da CEDEAO, foram iniciadas discussões para tentar trazer o bloco de volta à comunidade, mas sem sucesso. Lansana Kouyaté deverá principalmente facilitar o diálogo e conciliar os diversos interesses regionais.
A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) nomeou Lansana Kouyaté (foto), antigo primeiro-ministro guineense, como negociador-chefe para liderar as discussões com os países da Aliança dos Estados do Sahel (AES). O anúncio foi feito no domingo, 29 de março de 2026.
Lansana Kouyaté terá como missão facilitar o diálogo, conciliar os diferentes interesses regionais e fazer avançar as prioridades estratégicas da instituição sub-regional. «A CEDEAO está convencida de que a sua liderança desempenhará um papel essencial para conduzir com sucesso as complexas negociações futuras e promover um diálogo construtivo no interesse da estabilidade e da cooperação regionais», indica a organização.
Esta nomeação ocorre num momento em que a União Africana (UA) intensifica os seus esforços diplomáticos para reconciliar a CEDEAO e a AES, procurando evitar uma rutura total e manter canais de cooperação, nomeadamente nas questões de segurança e económicas.
Na terça-feira, 10 de março de 2026, Mamadou Tangara, representante especial da UA para o Mali e o Sahel, foi recebido em Freetown pelo presidente da Serra Leoa e presidente em exercício da CEDEAO, Julius Maada Bio. Esta visita enquadrou-se nos esforços regionais para definir um roteiro que reforce a colaboração entre a AES e a CEDEAO.
Desde a retirada em janeiro de 2024, várias personalidades, incluindo o presidente senegalês Macky Sall, foram designadas como mediadores para tentar reintegrar os países da AES no bloco, mas esses esforços não tiveram sucesso. No entanto, a rutura institucional não anulou todos os mecanismos de cooperação regional: Mali, Burkina Faso e Níger continuam a manter a livre circulação de pessoas e bens na sub-região.
Lansana Kouyaté possui uma longa carreira diplomática. Além de ter sido primeiro-ministro da Guiné, foi representante do seu país junto das Nações Unidas e representante adjunto do secretário-geral da ONU para a Somália. Também ocupou o cargo de secretário executivo da CEDEAO.
Lydie Mobio













Marrakech. Maroc