Angola prepara o lançamento de novo satélite e expansão da rede de fibra óptica para reforçar o acesso digital.
O projeto visa à modernização nacional e inclusão digital, com foco na melhoria da vigilância de recursos naturais e gestão de desastres.
Nos últimos anos, Angola já lançou dois satélites, melhorando consideravelmente a conectividade nacional. Agora, um novo plano de investimentos está em andamento, com o lançamento de um terceiro satélite e a expansão da rede de fibra óptica, visando fortalecer ainda mais o acesso digital no país.
João Lourenço, presidente da República, anunciou na terça-feira, 28 de outubro, em Luanda, durante o Summit sobre o financiamento para o desenvolvimento de infraestruturas na África, o lançamento iminente de um novo satélite de observação da Terra e a expansão da rede nacional de fibra óptica.
De acordo com o presidente, esses investimentos estão alinhados com a estratégia nacional de modernização e de inclusão digital. O objetivo é garantir um acesso equitativo às tecnologias digitais e aproveitar a inovação tecnológica para o desenvolvimento nacional.
O plano contempla a implantação de um novo satélite de observação, complementando o Angosat-2, lançado em outubro de 2022, e a expressiva expansão do backbone nacional em fibra óptica. Em abril, o governo já tinha anunciado a construção de aproximadamente 2.000 km adicionais de fibra óptica e a reparação de cerca de 883 km de linhas existentes, com capacidades almejadas de 200 Gbps a 1 Tbps.
No âmbito espacial, o Angosat-2 já atende 16 das 18 províncias do país, graças a mais de 150 terminais VSAT instalados para conectar áreas remotas. As redes terrestres também estão interconectadas com a República Democrática do Congo e Zâmbia por meio de conexões de 1.150 km, oferecendo uma capacidade de 40 Gbps para a RDC.
Esses esforços fazem parte da estratégia de Angola de se tornar um centro regional de infraestruturas digitais. O relatório sobre as TIC para o período 2023-2027 coloca no centro das políticas a expansão das infraestruturas, a soberania digital e o desenvolvimento de competências. A ascensão do setor espacial, com a criação de uma agência nacional e parcerias internacionais, bem como o programa "Conecta Angola", demonstra a continuidade dos investimentos públicos e cooperações.
Em termos concretos, esses recursos devem contribuir para a melhoria da vigilância dos recursos naturais, facilitar a gestão de riscos e desastres por meio de imagens de alerta, ampliar a cobertura da Internet em áreas não atendidas e apoiar o surgimento de uma economia digital local. O desafio permanece em garantir uma implementação transparente, abrir o setor a operadores privados para atrair investimentos adicionais e treinar recursos humanos locais para explorar completamente essas infraestruturas.
Samira Njoya













Marrakech. Maroc