No final da sua missão na Namíbia, o Fundo Monetário Internacional alertou para um crescimento fraco e finanças públicas sob pressão, apelando às autoridades para acelerarem as reformas a fim de reforçar a resiliência económica.
Na Namíbia, o FMI apelou ao governo para acelerar as reformas estruturais. É o que resulta das conclusões da missão de consulta de 2026 ao abrigo do Artigo IV, realizada de 16 a 20 de março de 2026.
No seu comunicado publicado a 27 de março de 2026, a instituição constata uma economia em perda de dinamismo, confrontada com vulnerabilidades internas e um ambiente internacional incerto.
Segundo as conclusões preliminares da missão conduzida por Xiangming Li, o crescimento do PIB real desacelerou para 1,7% em 2025, afetado nomeadamente pela queda da procura mundial de diamantes e pela recomposição do efetivo pecuário após as perdas ligadas à seca de 2024. Esta dinâmica deverá prolongar-se em 2026, num contexto de tensões geopolíticas, especialmente no Médio Oriente, que encarecem os custos energéticos e pesam sobre a procura global.
No plano externo, a situação melhorou ligeiramente. «O défice deverá manter-se elevado devido às importações associadas ao investimento direto estrangeiro na exploração petrolífera e mineira. As reservas cambiais brutas diminuíram após o reembolso do eurobond de 750 milhões de dólares em outubro de 2025, com uma cobertura das importações de 3,5 meses no final de 2025», declarou Xiangming Li.
As finanças públicas constituem um dos principais motivos de preocupação. O défice orçamental agravou-se durante o exercício 2025/2026, devido a uma forte queda das receitas provenientes da União Aduaneira da África Austral. Apesar dos esforços para conter as despesas, nomeadamente a massa salarial e os subsídios, a dívida pública deverá continuar a aumentar a médio prazo.
Recorde-se que a Namíbia tem vindo a implementar reformas macroeconómicas nos últimos anos para estabilizar a sua economia. Em março de 2025, as autoridades apresentaram o orçamento nacional 2025/2026, no valor de 106,3 mil milhões de dólares namibianos (cerca de 6 mil milhões de dólares), um aumento de 6,19% face ao exercício anterior. Este orçamento dá prioridade ao desenvolvimento económico, à segurança, às infraestruturas e à proteção social.
Além disso, o governo namibiano assinou um acordo com o Banco Mundial para o período 2025-2029, com o objetivo de apoiar os seus esforços de redução das desigualdades e de promoção de um crescimento sustentável e resiliente. Esta parceria visa, em particular, estimular a criação de emprego e melhorar o acesso aos serviços públicos, em linha com a Visão 2030.
Num contexto em que a economia namibiana permanece vulnerável a choques externos, o FMI recomenda um reforço da consolidação orçamental, assente nomeadamente no controlo das despesas correntes, na reforma do regime de seguro de saúde dos funcionários públicos (PSEMAS) e na redução das transferências para empresas públicas. A instituição insiste também na necessidade de melhorar a gestão das finanças públicas, incluindo os procedimentos de contratação pública.
Para além dos ajustamentos macroeconómicos, o FMI sublinha a urgência das reformas estruturais. A melhoria do ambiente de negócios, a aceleração dos procedimentos administrativos e a implementação de políticas de conteúdo local são consideradas essenciais para estimular o investimento privado. Além disso, o desenvolvimento do setor digital e o alinhamento dos sistemas educativos com as necessidades do mercado de trabalho surgem como fatores-chave para apoiar o emprego e a diversificação económica.
Segundo as previsões do Banco Mundial, o crescimento do PIB do país deverá passar de 3,7% em 2025 para 3,9% em 2026.
Carelle Yourann (Estagiária)













Bamako