O protocolo de entendimento assinado entre as duas instituições visa melhorar a governação macroeconómica e a coordenação das políticas económicas na região, num contexto marcado simultaneamente por uma retoma do crescimento e por desequilíbrios persistentes.
A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) assinaram, na sexta-feira, 27 de março, em Abuja, na Nigéria, um protocolo de entendimento com o objetivo de reforçar a sua cooperação em matéria de governação macroeconómica e integração regional.
O acordo, assinado por Omar Alieu Touray, presidente da Comissão da CEDEAO, e Wautabouna Ouattara, diretor executivo do FMI para a África Ocidental, estabelece um quadro de colaboração destinado a melhorar a coordenação das políticas económicas entre os Estados-membros. Prevê, nomeadamente, o reforço do diálogo político, o apoio ao desenvolvimento de capacidades em domínios-chave como a política orçamental, a gestão da dívida e as estatísticas, bem como a melhoria da supervisão macroeconómica regional.
Esta parceria visa igualmente apoiar o avanço do projeto de união monetária regional e representar melhor as prioridades económicas da África Ocidental nas discussões internacionais.
Uma retoma económica ainda contrastada
A assinatura deste acordo ocorre num contexto económico regional contrastado. Segundo dados do Banco de Investimento e Desenvolvimento da CEDEAO (BIDC), as economias da região registaram um crescimento de cerca de 5,1% em 2024, com perspetivas próximas de 5% em 2025 antes de uma aceleração esperada para 5,4% em 2026. No entanto, esta dinâmica continua exposta a vários riscos, nomeadamente a volatilidade dos preços das matérias-primas e as incertezas do comércio internacional, suscetíveis de afetar os países exportadores de petróleo ou de produtos agrícolas.
Paralelamente, os equilíbrios macroeconómicos permanecem frágeis. A inflação média na região deverá atingir 18,6% em 2025, antes de abrandar para 15,3% em 2026. Segundo a BIDC, a Nigéria, o Gana, a Serra Leoa e a Gâmbia deverão apresentar taxas de dois dígitos, principalmente devido às pressões relacionadas com os preços dos alimentos, da energia e com as taxas de câmbio. Em contrapartida, os Estados-membros da UEMOA deverão manter uma inflação média inferior a 5%, apesar das incertezas ligadas ao comércio.
As finanças públicas continuam igualmente sob pressão, embora o défice orçamental regional deva melhorar para cerca de 3,9% do PIB em 2025 e 3,6% em 2026, enquanto o rácio da dívida pública deverá diminuir gradualmente para 56,3% do PIB até 2026.
As perspetivas de integração económica são também afetadas pelas evoluções políticas no seio do bloco. A saída do Burkina Faso, do Mali e do Níger da CEDEAO poderá reduzir o comércio intrarregional, que representava em média 8,6% das trocas comerciais nos últimos três anos. Segundo estimativas da BIDC, esta proporção poderá cair para 5,2%, evidenciando os desafios que a região enfrenta em matéria de integração económica.
Neste contexto, alguns países da sub-região, como a Costa do Marfim ou o Senegal, continuam a apresentar um crescimento sustentado impulsionado pelos investimentos em infraestruturas e pelas reformas económicas, enquanto outras grandes economias, nomeadamente a Nigéria ou o Gana, permanecem confrontadas com constrangimentos relacionados com a dívida e a volatilidade das matérias-primas.
Até agora, a cooperação entre a CEDEAO e o FMI manifestava-se principalmente através de programas bilaterais conduzidos com os Estados-membros. A assinatura deste protocolo marca assim uma evolução para uma abordagem mais estruturada ao nível regional, com o objetivo de reforçar a estabilidade macroeconómica e apoiar os esforços de integração económica na África Ocidental.
Charlène N’dimon













Bamako