Perante uma procura de eletricidade em alta de 10% a 15% por ano, impulsionada pelas necessidades nacionais e pelas exportações para países vizinhos interligados, a Costa do Marfim aposta nos seus recursos de gás natural para consolidar o seu sistema energético e apoiar as suas ambições de desenvolvimento.
O governo marfinense reafirmou a sua vontade de fazer do gás natural produzido localmente um pilar do seu sistema elétrico. À margem das reuniões de primavera do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington, o ministro das Minas, do Petróleo e da Energia, Mamadou Sangafowa Coulibaly (foto, ao centro), indicou que o país privilegia o uso doméstico do gás para responder à procura de eletricidade.
Prioridade à procura nacional
Esta escolha visa também apoiar a industrialização, em vez de exportar a produção para gerar divisas. Segundo o ministro, todo o gás descoberto na Costa do Marfim já é utilizado na produção de eletricidade.
«É preciso primeiro satisfazer a procura nacional antes de liquefazer o excedente de gás para exportação. Esta escolha traduz uma vontade política de fazer da energia uma alavanca de transformação económica interna, em vez de uma simples fonte de divisas. Por outras palavras, o gás deixa de ser apenas um recurso para exportação e passa a ser um instrumento ao serviço da industrialização», recordou o ministro, citado num comunicado governamental.
Paralelamente ao gás natural, as autoridades apostam nas energias renováveis, incluindo a hidroeletricidade e a energia solar, com vários projetos em desenvolvimento. O objetivo declarado é atingir uma quota de 45% de energias renováveis no mix energético até 2030.
Esta orientação surge num contexto de forte crescimento da procura, estimado entre 10% e 15% ao ano, ligado ao aumento do consumo interno e às exportações de eletricidade para países vizinhos. Além disso, o país pretende alcançar uma taxa de eletrificação de 100% até 2030, contra 64% em 2023. No “Pacto Nacional da Energia para a República da Costa do Marfim”, Abidjan pretende também aumentar em 1,7 vezes a sua capacidade de produção, que era de 2 907 MW no final de 2023, dominada em 69% pela energia térmica.
Uma dinâmica continental
A vontade de combinar centrais a gás e energias renováveis para satisfazer a procura elétrica não é exclusiva da Costa do Marfim, mas sim uma estratégia também observada noutros países, alguns já bastante avançados.
No Egito e na Argélia, o gás representa respetivamente 80% e 99% da produção elétrica, contribuindo para um elevado acesso à eletricidade. Estes países lançam regularmente projetos de energias renováveis e apresentam ambições elevadas nesse domínio.
Outros países, como o Senegal e a Mauritânia, também estão a avançar para uma utilização crescente da produção de gás nacional para reforçar a oferta elétrica, ao mesmo tempo que apostam na energia solar, eólica e hidroelétrica.
Abdoullah Diop













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