Em 2025, a borracha natural foi uma das poucas matérias-primas agrícolas a registar uma subida de preços nos principais mercados. As últimas projeções sugerem que esta tendência poderá continuar em 2026.
Os preços da borracha natural deverão manter a sua dinâmica de alta em 2026, segundo as mais recentes projeções do Banco Mundial, divulgadas no seu relatório “Commodity Outlook” publicado em abril. O preço médio do quilo de borracha natural de grau TSR20, a categoria mais utilizada na indústria automóvel, deverá assim aumentar 7,34% ao longo do ano, atingindo 1,90 dólares, contra uma média de 1,77 dólares registada em 2025.
Segundo a instituição financeira, a subida projetada em 2026 depende da continuidade do crescimento regular da procura nos países emergentes e em desenvolvimento, onde a indústria automóvel está em plena expansão. No período de 12 meses terminado em janeiro de 2026, o Banco Mundial indica que a procura mundial da matéria-prima aumentou ligeiramente, liderada pela China e pela Índia (cerca de 2% cada).
“A fabricação de pneus, que representa quase dois terços da utilização da borracha natural, manteve-se globalmente estável para veículos ligeiros, mas reforçou-se para veículos pesados, sustentando assim o consumo global”, sublinha o relatório. Já em fevereiro, a Associação dos Países Produtores de Borracha Natural (ANRPC) antecipava um crescimento moderado da procura mundial para 15,6 milhões de toneladas em 2026, mais 1,7% em relação ao ano anterior.
Um mercado mundial sob tensão há vários anos
De forma geral, a subida esperada da procura insere-se num contexto mundial marcado por um desequilíbrio persistente entre oferta e procura há vários anos. Segundo a ANRPC, o mercado mundial deverá registar um défice de cerca de 400 mil toneladas em 2026, marcando o sexto ano consecutivo de escassez desta matéria-prima. Uma situação que confirma que a procura cresce mais rapidamente do que a oferta, por várias razões.
Entre condições meteorológicas desfavoráveis e a replantação insuficiente de plantações de seringueiras envelhecidas, os países produtores enfrentam desafios estruturais que limitam o seu potencial.
Independentemente das realidades do lado da produção, a subida prevista dos preços representa uma oportunidade para gerar mais receitas de exportação nos países africanos produtores, onde a maior parte da oferta é exportada em bruto.
Dados compilados na plataforma Trademap mostram que os países africanos exportaram cerca de 3 mil milhões de dólares em borracha natural em 2024, representando 18,5% das exportações mundiais, que totalizaram 16 mil milhões de dólares. A Costa do Marfim lidera amplamente, concentrando 82% das exportações continentais em valor, ou seja, 2,45 mil milhões de dólares.
Entre os outros grandes exportadores de borracha natural encontram-se, entre outros, a Libéria, o Gana, o Camarões e a Nigéria. No total, 21 países africanos exportaram borracha natural em diferentes formas em 2024, segundo o Trademap.
Stéphanas Assocle













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