A falta de fornecedores de peças automotivas fabricadas localmente para os montadores de veículos instalados na Argélia foi o principal obstáculo para o desenvolvimento de uma indústria automotiva nacional. As autoridades argelinas estão se esforçando para preencher essa lacuna, firmando parcerias com empresas estrangeiras e criando empresas estatais.
O Primeiro-Ministro da Argélia, Sifi Ghrieb, colocou na semana passada a primeira pedra da General Plastic Injection (GPI), uma futura fábrica especializada na produção de componentes e acessórios plásticos destinados à indústria automotiva. O objetivo é apoiar o desenvolvimento local desse setor e reduzir os custos das importações.
A unidade industrial, que ocupará uma área de 107.000 m² na província de Tissemsilt (Centro-Oeste do país), produzirá, entre outras coisas, peças de carroceria, elementos de interior e acessórios técnicos, a partir de setembro do próximo ano. Este projeto faz parte de uma estratégia para aumentar os níveis de integração local dos atores envolvidos na montagem de veículos.
« A fábrica trará uma nova dinâmica para a indústria automotiva na Argélia, utilizando as técnicas e tecnologias mais avançadas », declarou Ghrieb, indicando que o projeto está dentro da estratégia de recuperação e reintegração de bens confiscados por decisões judiciais definitivas.
A fábrica irá utilizar ativos da Plastic Algeria Components (PAC)
A futura fábrica irá, de fato, explorar os ativos da empresa Plastic Algeria Components (PAC), que foi confiscada a um empresário condenado por corrupção. Esses ativos foram transferidos, em janeiro deste ano, para a holding pública Algeria Chemical Specialities (ACS), com o objetivo de lançar uma fábrica de componentes plásticos dedicados à indústria automotiva.
Exigências de integração local até 40%
Diversos montadores internacionais, incluindo a Stellantis (modelos Fiat) e os grupos chineses BAIC e JAC Motors, já possuem fábricas de montagem de veículos na Argélia. Outros projetos de fábricas, liderados por montadoras como o chinês Chery, o italiano Iveco e o sul-coreano Hyundai, também estão em fase de finalização.
O governo argelino oferece várias vantagens fiscais aos montadores de veículos, como isenções fiscais sobre as importações de insumos e a disponibilização de terrenos a preços reduzidos, com o intuito de desenvolver a indústria automotiva local. Em contrapartida, exige-se uma taxa de integração local, que deve atingir no mínimo 10% ao final do segundo ano após o início da produção da fábrica, e de 40% ao final do quinto ano.
O fechamento de fábricas e os desafios da integração local
Nos últimos anos, o fechamento de várias fábricas de montagem de veículos na Argélia, incluindo as da Volkswagen (Alemanha), Renault (França) e Kia Motors (Sul-Coreia), foi explicado principalmente pelo não cumprimento das metas de integração local. Isso ocorre em um contexto de falta de um mercado de subcontratação capaz de fornecer peças fabricadas localmente, o que dificultou o crescimento do setor, que foi elevado a uma prioridade pelo Estado, com o objetivo de reduzir as importações de veículos e diversificar a economia.
A criação de um ecossistema de subcontratados
Para corrigir essa situação, as autoridades estão agora focadas em criar um ecossistema de subcontratados, que seja diretamente controlado pelo Estado ou por meio de joint-ventures com empresas estrangeiras. Em março de 2025, a Entreprise Nationale Algérienne de Tubes et Transformation de Produits Plats (Anabib) assinou um acordo com o fornecedor chinês Auto Lumiar para criar uma joint-venture especializada na fabricação de diversos equipamentos automotivos, como faróis e para-choques.
Walid Kéfi













Landmark Centre, île Victoria - Lagos - Nigeria