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Perante a pressão escolar, o Senegal quer regular o seu ensino privado

Perante a pressão escolar, o Senegal quer regular o seu ensino privado
Segunda-feira, 11 de Maio de 2026

Enquanto mais de dois jovens senegaleses em cada dez estão desempregados e o ensino privado escapa a qualquer controlo de qualidade, Dakar lança uma regulação inédita para alinhar a oferta educativa com as necessidades do mercado de trabalho.

No Senegal, o Estado pretende pôr ordem num setor educativo privado há muito deixado à sua própria dinâmica. Esse foi o sinal forte lançado durante um simpósio nacional realizado na segunda-feira, 4 de maio, em Dakar. O ministro da Educação Nacional, Moustapha Mamba Guirassy, abriu os trabalhos lembrando que o setor privado contribui ativamente para alargar o acesso à educação, formar recursos humanos e responder à crescente procura escolar.

Este setor tem um peso significativo: mais de 5000 estabelecimentos e cerca de 40 000 professores, segundo o comunicado oficial do ministério. Um peso que confirma o seu papel já incontornável. No entanto, não existe qualquer mecanismo nacional que garanta de forma coerente a qualidade desta oferta.

Um diálogo nacional para definir regras

O evento constitui, segundo o ministério, «um quadro nacional de diálogo e concertação». Reuniu diferentes atores em torno da contribuição do setor privado para o sistema educativo. Organizados em sessões plenárias e workshops temáticos, os trabalhos visam produzir «recomendações operacionais destinadas a estruturar de forma duradoura» o setor. As conclusões serão submetidas às autoridades para integração no plano de refundação da escola senegalesa, em curso desde 2024.

O ministério pretende construir «uma regulação clara, transparente e orientada para a qualidade», descrita como «uma arquitetura de confiança em benefício dos alunos, das famílias e dos promotores». O objetivo é garantir a cada estudante «uma base fundamental sólida» e «uma coerência curricular» comum, independentemente do estabelecimento. A iniciativa visa ainda instaurar «uma formação cívica comum» para todos os alunos do país.

A qualidade como chave para o emprego

Para além do acesso à escola, é a empregabilidade dos jovens que motiva esta reforma. O desfasamento entre formação e mercado de trabalho é persistente e documentado. Setores em crescimento como o digital, a construção e as energias renováveis enfrentam falta de profissionais qualificados, enquanto milhares de diplomados permanecem desempregados.

Segundo a Agência Nacional de Estatística e Demografia (ANSD), a taxa de desemprego atingiu 23,3% no quarto trimestre de 2025, um aumento de 3,3 pontos em relação ao ano anterior. Entre os jovens dos 18 aos 35 anos, 41% declararam estar desempregados e à procura de trabalho, segundo um estudo da Afrobarometer em junho de 2025.

A reforma integra-se na refundação curricular em curso, que pretende articular «saberes modernos e heranças culturais, inovação e ética, abertura internacional e soberania cognitiva», segundo o comunicado ministerial.

Uma regulação perante fortes desafios

O sistema educativo senegalês continua sob pressão. Na rentrée 2024-2025, o primeiro-ministro Ousmane Sonko indicou uma taxa bruta de escolarização de 63%, colocando o Senegal no 9.º lugar da CEDEAO. A taxa de insucesso no exame nacional atingia 49%. O setor público enfrentava ainda um défice de 4527 professores e 7145 estruturas provisórias.

O RGPH-5 da ANSD (2024) estima 4,5 milhões de estudantes no país, sendo 59% em zonas urbanas. O Estado destinou 1305 mil milhões de francos CFA (≈2,35 mil milhões de dólares), ou 22,7% do orçamento nacional, à educação em 2024. Apesar disso, as desigualdades regionais e setoriais persistem. Com metade da população com menos de 19 anos, a ausência de regulação eficaz do ensino privado pode agravar ainda mais as desigualdades existentes.

Félicien Houindo Lokossou

 

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