Este novo mecanismo destina-se a estruturar o ecossistema científico nacional e a apoiar a transformação do país.
O governo nigeriano aprovou a criação do “National Research and Innovation Development Fund” (NRIDF), um fundo nacional destinado a reforçar de forma sustentável a investigação, a ciência e a tecnologia, com um financiamento anual que pode atingir 500 milhões de dólares. É o que indica um comunicado da presidência publicado no sábado, 9 de maio.
Concebido para colmatar as fragilidades estruturais do setor, o NRIDF visa melhorar a coordenação entre universidades, institutos de investigação, indústria e poderes públicos em torno das prioridades nacionais de desenvolvimento. O objetivo é criar um quadro integrado capaz de reforçar a inovação, melhorar a competitividade do país e apoiar a diversificação da economia nigeriana.
O fundo irá financiar bolsas competitivas de investigação, o desenvolvimento de infraestruturas de inovação, a comercialização de descobertas científicas, bem como o desenvolvimento do capital humano nos setores estratégicos da ciência e da tecnologia.
Colocada sob a tutela do Ministério Federal da Inovação, Ciência e Tecnologia, esta iniciativa será supervisionada por um Conselho Nacional de Investigação e Inovação composto por 17 membros e presidido pelo vice-presidente.
Um setor ainda travado pelo subinvestimento
Esta reforma surge num contexto em que o sistema de investigação nigeriano continua a enfrentar grandes desafios. Segundo um estudo publicado em 2025 pela Science Granting Councils Initiative (SGCI), o país consagra apenas 0,13% do seu PIB à investigação e desenvolvimento, longe do objetivo de 1% definido pela União Africana (UA). Com o setor privado a representar apenas 1% do investimento, a dependência do financiamento público permanece elevada.
Perante estas limitações, a SGCI recomenda, entre outras medidas, o reforço dos investimentos em energia e digital, a criação de fundos dedicados, a melhoria do enquadramento jurídico da propriedade intelectual e o desenvolvimento de parcerias público-privadas.
Nesta dinâmica, o governo nigeriano lançou também centros de inovação denominados “UniPods” nas universidades públicas, como o Mine-Tech UniPod inaugurado em Nasarawa, com o objetivo de alinhar melhor a investigação académica com as necessidades industriais, nomeadamente nos setores mineiro e tecnológico.
Charlène N’dimon













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